Uma semana após explosão com 2 mortes no Jaguaré, moradores convivem com casas interditadas e incertezas sobre futuro

  • 18/05/2026
(Foto: Reprodução)
Reparos começam em casas atingidas no Jaguaré Uma semana após a explosão provocada por uma obra da Sabesp no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, moradores ainda convivem com casas interditadas, demolições, prejuízos e incertezas sobre o futuro. O acidente deixou dois mortos, dezenas de imóveis danificados e transformou a rotina do bairro em um "cenário de guerra", como descrito pelos próprios vizinhos afetados. As vítimas da explosão foram o vigilante Alex Sandro Nunes, que morreu no local, e Francisco Albino, de 62 anos, que descansava em casa no momento da explosão e morreu dias depois. O balanço mais recente da Defesa Civil aponta que 16 residências foram condenadas e marcadas em vermelho, sem possibilidade de permanência dos moradores. Outras 22 têm interdição parcial e precisarão passar por reformas. Já 99 imóveis foram liberados após vistorias técnicas. As autoridades estimam que uma área de 2 mil m² foi total ou parcialmente destruída. “Dentro de casa está um caos, ficamos sem saber de nada, sem saber o que está acontecendo nem o que vai acontecer”, disse a doméstica Michele Carvalho da Silva. A autônoma Ketlyn Victória da Silva Vieira recebeu o laudo informando que a casa dela foi interditada por risco estrutural. “Eles informaram que o teto do meu quarto tem risco de ceder, e o meu telhado também foi estourado, trincado”, afirmou. Ao ser questionada sobre onde dormiria, respondeu: “Não sei ainda”. Já Sabrina Santana, inspetora de qualidade, disse que foi informada de que sua casa precisará ser demolida. “A minha casa eles disseram que não tem como fazer reconstrução, vão ter que derrubar e começar do zero. Então a gente não sabe o que faz”, desabafou. Relatos dos sobreviventes O pedreiro Osmar Braz, que foi arremessado pela onda de choque, fraturou duas vértebras e ainda se recupera. Em entrevista à TV Globo, ele contou que chegou a ser lançado no ar. Já Carlos Henrique ficou soterrado nos escombros da casa onde morava com a namorada, Fernanda. Eles haviam passado cinco anos reformando o imóvel, destruído pela explosão. “Foi desesperador, era um cenário de guerra”, disse. As perícias continuam. Segundo o Instituto de Criminalística, técnicos fizeram mapeamentos com scanner 3D e drones para tentar reconstituir a dinâmica do acidente e apontar responsabilidades. Especialistas ouvidos pela TV Globo afirmaram que o vazamento teria formado uma grande nuvem de gás no subsolo antes da combustão. Um vídeo gravado antes da explosão mostra bolhas surgindo em uma poça de lama, o que pode indicar vazamento subterrâneo. Moradores também questionam os protocolos de segurança adotados no momento do vazamento. Osmar afirmou ter sentido um forte cheiro de gás antes da explosão e disse que não recebeu ordem para sair de casa. Questionada, a Sabesp afirmou que os protocolos prévios de segurança haviam sido cumpridos pelas concessionárias envolvidas. A companhia anunciou nesta semana a suspensão, por 15 dias, de todas as obras em vias públicas no estado que tenham interferência direta em redes de gás. Segundo a empresa, a medida tem caráter preventivo e servirá para revisão de procedimentos operacionais e protocolos de segurança. Mesmo assim, um novo incidente ocorreu na quinta-feira (15), quando uma escavação da Sabesp perfurou uma rede da Comgás em Itaquera, na Zona Leste. A obra não estava entre as cerca de 30 intervenções suspensas pelo governo estadual. Segundo a Sabesp, 662 pessoas já receberam auxílio emergencial de R$ 5 mil, além de hospedagem provisória e apoio para reparos. A Comgás informou que mantém 113 pessoas hospedadas em hotéis e trabalha na recuperação dos imóveis liberados. Parte das famílias afetadas também começou a avaliar mudanças definitivas. Quatro delas visitaram apartamentos da CDHU e aceitaram se mudar para um conjunto habitacional a cerca de 10 quilômetros da Rua Piraúba. Os custos serão pagos pela Sabesp e pela Comgás. Explosão no Jaguaré TV Globo Moradores improvisam rotina em meio à destruição Os reparos nas casas atingidas pela explosão começaram no sábado (16), cinco dias após o acidente. Enquanto equipes trabalham na troca de telhados, janelas e portões, moradores e comerciantes da região ainda vivem uma rotina de improviso, prejuízos e incertezas. Na Rua José Benedito de Moraes Leme, vizinhas improvisaram um café no meio da rua enquanto aguardavam novas avaliações da Defesa Civil e informações sobre os imóveis interditados. “Dentro de casa está um caos, ficamos sem saber de nada, sem saber o que está acontecendo nem o que vai acontecer”, disse a doméstica Michele Carvalho da Silva. A atendente trainee Shirlei Cardoso da Silva contou que precisou permanecer perto do imóvel após assinar o laudo da Defesa Civil. Homens trabalham em reparo de casas atingidas por explosão no Jaguaré, em SP Reprodução/TV Globo “Hoje nós estamos aqui, né? A gente tem que ficar aguardando porque eles [funcionários da Defesa Civil] passam. Como está no meu nome e eu assinei o laudo, então fico por aqui. Um às vezes quer entrar, quer fazer uma pergunta, e a gente está 'preso', não tem como sair”, afirmou. Enquanto aguardava orientações, a autônoma Ketlyn Victória da Silva Vieira recebeu o laudo informando que a casa dela também havia sido interditada. “Eles informaram que o teto do meu quarto tem risco de ceder, e o meu telhado também foi estourado, trincado”, disse. Questionada sobre onde dormiria, respondeu: “Não sei ainda”. O caminhão com material para a troca dos telhados chegou à rua na hora do almoço. As telhas antigas ficaram chamuscadas após a explosão registrada na última segunda-feira (11). Segundo moradores, a Sabesp contratou uma empresa extra para acelerar os reparos. Além da troca de telhados, equipes trabalharam na substituição de janelas e portões na Rua Piraúba. A vigilante Marineide Maria de Almeida Vasconcelos contou que parte da obra começou nos últimos dias. “Anteontem trocaram o telhado, que foi o principal, que caiu todo. Hoje colocaram os parafusos e agora estão trocando as janelas. Ainda falta o portão”, afirmou. Além dos danos nas casas, comerciantes da região relatam prejuízos e dificuldade para retomar o funcionamento dos estabelecimentos. Uma pizzaria que teve o acesso liberado continua sem conseguir operar porque equipamentos foram danificados. O comerciante Tarciano Fernandes Lima disse que ainda não conseguiu calcular o prejuízo. “Freezer, geladeira, mercadoria, computador... Ainda não deu para calcular, devido à correria”, afirmou. Segundo ele, os dois motoboys que trabalham no local também estão sem serviço desde o acidente. Um deles é Lucas Lima de Freitas, que aparece em um vídeo gravado no momento da explosão usando um casaco amarelo. “Desde o dia da explosão a gente está sem trabalhar, sem retorno. Falaram que seríamos ressarcidos, mas até agora nada também”, disse. Enquanto aguardam a normalização, moradores tentam retomar parte da rotina. Em uma das ruas atingidas, a fita de isolamento da Defesa Civil virou rede improvisada para uma partida de vôlei. O operador de máquina Francisco da Silva, que perdeu um primo na explosão, participou da brincadeira. “Se distrair um pouco, né? Porque a situação não é legal”, afirmou. Moradores do Jaguaré improvisam quadra de vôlei com faixa da Defesa Civil Reprodução/TV Globo GIF equipe da Sabesp trabalhando momentos antes da explosão no Jaguaré Reprodução Imóveis destruídos após explosão na região do Jaguaré, na Zona Oeste de SP Reprodução/TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/18/uma-semana-apos-explosao-com-2-mortes-no-jaguare-moradores-convivem-com-casas-interditadas-e-incertezas-sobre-futuro.ghtml


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