Região de Itapetininga não registra feminicídios no 1º trimestre de 2026, mas tentativas ainda acendem alerta

  • 09/05/2026
(Foto: Reprodução)
Região de Itapetininga (SP) zera número de feminicídios no 1º trimestre de 2026 Arquivo pessoal A região de Itapetininga (SP) não registrou casos de feminicídio nos primeiros três meses deste ano. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Segurança de São Paulo (SSP-SP), por meio da plataforma SP Vida. De acordo com o painel de monitoramento, foram registrados dois casos de feminicídio entre janeiro e março de 2025, enquanto neste ano não houve ocorrências no mesmo período. Já as tentativas de feminicídio se mantiveram iguais nos dois anos, com três em cada período. Veja o gráfico abaixo: 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Região de Itapetininga registra queda em casos de feminicídio Os crimes de 2025 aconteceram em Itapeva (SP) e Itapetininga, com mulheres de 38 e 28 anos. No dois casos, os suspeitos eram companheiros amorosos das vítimas e foram presos pela Polícia Civil. O primeiro caso ocorreu em 4 de janeiro do ano passado. Lisandra Aparecida da Silva foi encontrada morta e em estado de decomposição dentro da casa onde morava no bairro Taquari, em Itapeva. A polícia apurou que o casal, que manteve um relacionamento por 20 anos, discutiu no dia anterior ao feminicídio. Allan Queiroz Garcia foi preso somente seis meses após o crime. Lisandra Aparecida da Silva, de 38 anos, foi encontrada morta em Itapeva (SP) Reprodução/Facebook O segundo caso aconteceu exatamente dois meses depois, em 4 de março. Natália Stéfanny Alves Carneiro Domingues também foi encontrada morta no quarto da casa onde morava, em Itapetininga, com um cabo HDMI enrolado ao pescoço. O suspeito, Emerson Vitoriano Pereira, confessou o crime às autoridades. O casal estava junto desde 2016 e, na época do crime, tinha uma filha de cinco anos. A família relatou que a vítima tentava se separar do suspeito havia um ano, mas sem sucesso. Natália Stéfanny Alves Carneiro Domingues, de 28 anos, foi morta pelo marido, Emerson Vitoriano Pereira, de 40 anos Reprodução/Redes sociais 'Ponta vísivel de um iceberg' A advogada especializada em direito penal Juliana Saraiva avalia que os dados ainda são preocupantes, principalmente por se tratarem de cidades com menor população. "O raciocínio precisa ser proporcional à população. Quando falamos em indicadores de violência, usamos a taxa por 100 mil habitantes, não o número absoluto. A taxa pode ser proporcionalmente muito superior à da capital. Não significa menos problema na realidade. Três casos em uma região pequena não é estatística, é tragédia", pontua. Segundo a especialista, o feminicídio representa "a ponta visível de um iceberg". Ela explica que municípios do interior ainda convivem com uma cultura de silêncio em relação aos casos de violência, já que as pessoas costumam se conhecer com mais facilidade, o que pode dificultar denúncias. "Para cada mulher morta, há dezenas que sofreram agressões anteriores que denunciaram ou, mais frequentemente, não denunciaram. Em cidades pequenas, esse sub-registro é ainda mais acentuado, porque a vítima conhece todo mundo, o agressor também, e o silêncio é culturalmente imposto pelo próprio ambiente", detalha. Juliana é advogada especialista em direito penal Arquivo pessoal Juliana também ressalta que a estabilidade nos índices não significa, necessariamente, maior efetividade da segurança pública na região. De acordo com ela, os números podem variar conforme a quantidade de denúncias feitas pelas mulheres e o total de medidas protetivas solicitadas e expedidas. "É necessário saber o que está por trás deste número. Se o platô vem acompanhado de mais mulheres denunciando, mais homens processados e condenados, e mais medidas deferidas, aí, sim, é sinal de política pública funcionando. Se, ao contrário, o número estabiliza quando os registros de ocorrências caem, as delegacias estão com efetivo reduzido e as mulheres continuam sem acesso à rede de proteção, é silêncio forçado", diz. Outro ponto que chama a atenção da especialista é a diferença no acesso aos recursos de proteção para mulheres vítimas de violência no interior em comparação às capitais. Segundo a advogada, a rede de apoio nas cidades menores é muito menos estruturada, evidenciando uma limitação enfrentada por municípios de pequeno porte em todo o país. Vídeos em alta no g1 "Minha leitura é de que ainda há muita subnotificação. A mulher não denuncia porque tem medo, mas porque depende economicamente do agressor, porque a delegacia fica a 30 quilômetros de distância, porque não tem transporte. Neste contexto, pode ser invisibilidade e, não, segurança. O ponto central é que uma mulher em situação de risco não pode esperar, e, em cidades menores, o tempo de resposta tende a ser maior", destaca. "Na capital, há uma rede mais densa: Delegacias de Defesa da Mulher com funcionamento ampliado, casas-abrigo, atendimento psicossocial, Ministério Público e Defensoria Pública com equipes especializadas. No interior, essa rede é naturalmente mais enxuta. Não por descaso, mas por uma limitação estrutural e orçamentária que afeta municípios pequenos de todo o Brasil. Não é uma crítica, mas é um desafio a ser enfrentado", completa. LEIA TAMBÉM: Casos de estupro superam roubos no início do ano em Itapetininga, aponta SSP Homem é preso suspeito de invadir casa e tocar partes íntimas de mulher enquanto ela dormia em Itapetininga Homem é preso suspeito de manter a companheira em cárcere privado em Tatuí Governo estadual prevê instalação de Salas da Delegacia de Defesa da Mulher na região de Itapetininga Para combater a discrepância social no âmbito da violência doméstica, Juliana defende que há problemas estruturais na cultura brasileira que devem ser revistos desde a educação básica. Entre eles, está a revisão de respeito, igualdade de direitos e dignidade da mulher. "A violência doméstica começa com uma cultura que naturaliza a igualdade: que ensina ao menino que ele manda e à menina que ela obedece. Que trata o ciúme como prova de amor. Enquanto não enfrentarmos isso na raiz, continuaremos tratando o sintoma e, não, a doença. Defendo com convicção que a prevenção precisa entrar na escola como valor transversal", opina. Piraju e Taquarivaí estão entre os municípios que devem receber Salas da Delegacia de Defesa da Mulher em 2026 Governo de São Paulo/Divulgação A advogada prossegue reforçando que, nas políticas públicas, também existem ações que podem ser feitas de maneira imediata para aumentar a segurança das mulheres, como o fortalecimento do Conselho Tutelar e das redes de assistências sociais municipais. "Em cidade pequena, a mulher, muitas vezes, chega primeiro à assistente social, ao posto de saúde ou à escola dos filhos, não à delegacia. O programa Sinal Vermelho e a capacitação dos profissionais de segurança pública para notificar situações de risco já existem, mas poucas cidades do interior implementaram de fato", lamenta. "E um dado que precisa ser amplamente divulgado: o agressor que descumpre a medida protetiva comete crime autônomo, com pena de detenção de três meses a dois anos. Muitos desconhecem isso. A informação, por si só, já é fator de proteção. A medida protetiva não é papel mágico, precisa de estrutura real por trás", finaliza. Atendimento na região De acordo com a Polícia Civil, atualmente há cinco unidades da Delegacia de Defesa da Mulher e nove Salas da DDM na região de Itapetininga. Confira os endereços abaixo: DDM Avaré (Av. Salim Antônio Curiati, 1630 - Jardim Brasil) DDM Itapetininga (R. Higino Rolim Rosa, 81 - Vila Rosa) DDM Tatuí (Travessa Amaro Padilha, 10 - Jardim São Paulo) DDM Itapeva (R. Everaldo Milton Chiavani, 173 - Central Park) DDM Capão Bonito (Av. Gov. Lucas Nogueira Garcês, 376 - Jardim Cruzeiro) Sala DDM Avaré (R. Minas Gerais, 1315-1419 - Centro) Sala DDM Taquarituba (R. Mal. Floriano Peixoto, 938 - Centro) Sala DDM Laranjal Paulista (R. Dr. Pereira Barreto, 10 - Centro) Sala DDM Tietê (R. Marcos Marcuz, 655 - Centro) Sala DDM Boituva (R. Ver. Olimpio de Barros - Jardim Oreana) Sala DDM Itapetininga (R. Expedicionários Itapetiningano, 1093 - Centro) Sala DDM Itapeva (R. Capão Bonito, 375 - Vila Bom Jesus) Sala DDM Capão Bonito (R. Dr. Josino de Araújo, 750 - Centro) Sala DDM Itararé (R. Djalma Dutra, 328 - Bairro Velho) Lisandra, Natália e Eurídice foram vítimas de feminicídio Reprodução Mulher morta a tiros em Avaré Na terça-feira (5), uma mulher foi morta a tiros em Avaré (SP). O policial militar José Augusto de Andrade Paifer confessou o crime e foi preso. Segundo ele, os dois mantinham um relacionamento extraconjugal. A vítima foi identificada como Eurídice Augusta de Souza Michelin, de 57 anos. Como o caso é recente, a morte da ativista animal ainda não consta no painel divulgado pela SSP-SP. O policial militar José Augusto de Andrade Paifer confessou o crime e foi preso. Segundo o boletim de ocorrência, o corpo da mulher foi encontrado em um carro. Ela já estava morta quando foi encontrada pelos agentes. O homem disse que vinha sendo ameaçado por Eurídice. A arma que teria sido utilizada no crime e uma pistola com a numeração raspada foram encontradas na casa do suspeito. Conforme o BO, o PM disse que mantinha um relacionamento extraconjugal com Eurídice havia dez meses. Segundo ele, a vítima o intimidava com falsas acusações de estupro e ameaçava divulgar imagens íntimas do casal caso ele terminasse com ela. José disse que encontrou a vítima em um supermercado enquanto estava com a esposa e acreditou estar sendo seguido. Ele afirmou que, durante o trajeto para casa, a mulher o perseguiu de carro, parou de forma brusca e iniciou uma discussão, momento em que ele atirou contra ela. O suspeito indicou aos policiais onde estava a pistola da PM usada no crime. Questionado sobre a arma ilegal, ele permaneceu em silêncio. A Justiça determinou a prisão preventiva do suspeito durante a audiência de custódia realizada na quarta-feira (6). Eurídice foi sepultada na manhã de quinta-feira (7), no Cemitério Parque Memorial Pôr-do-Sol, no bairro Terras de São José. Ela deixa os pais e três filhos. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/05/09/regiao-de-itapetininga-nao-registra-feminicidios-no-1o-trimestre-de-2026-mas-tentativas-ainda-acendem-alerta.ghtml


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