Quem é Nelson Wilians, 'advogado ostentação' alvo de operação que investiga ocultação de bens de empresas de apostas
13/08/2026
(Foto: Reprodução) Advogado Nelson Willians é alvo de operação da PF
Com mais de 1,4 milhão de seguidores só no Instagram, o advogado Nelson Wilians é um dos alvos nesta quinta-feira (13) de uma operação contra ocultação de bens para empresas de apostas online, as chamadas bets.
Capa da revista Forbes, ele ganhou notoriedade nas redes sociais ao ostentar uma vida de luxo ao lado da esposa, com viagens de jatinho, carros importados e muitas lições de auto-ajuda para empreendedores (veja mais abaixo).
ENTENDA: Operação Arena da PF mira empresas de bets na Paraíba
No mês passado o escritório dele foi acusado pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP), da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP), de fazer parte de uma organização investigada por suposta venda de créditos falsos de ICMS para reduzir indevidamente o imposto devido ao Estado. O esquema teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributários.
Em nota, o escritório de Wilians informou que "a gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV" (veja nota completa abaixo).
Os advogados Nelson e Anne Wilians, casal alvo da Operação Distrato nesta quarta-feira (15).
Reprodução/Redes Sociais
Na época, Operação Distrato cumpriu 38 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina (PR) e Cambé (PR).
Em setembro do ano passado, Wilians já tinha sido alvo da Polícia Federal (PF) por suposta participação no esquema de fraudes do INSS.
Na época, na casa dele foram apreendidas esculturas eróticas, arma e carros de luxo, incluindo uma Ferrari e um Porsche.
Quem é Nelson Wilians
Jatinho e charuto: O advogado Nelson Wilians tem mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram é tem um dos maiores escritórios de advocacia da América Latina.
Reprodução/Redes Sociais
Nelson Wilians é natural de Cianorte (PR) e fundador do Nelson Wilians Advogados (NWADV). Ele foi advogado de Rose Miriam, mãe dos filhos do Gugu, na disputa judicial pela herança do apresentador.
Filho de pequenos agricultores, o advogado já foi capa da revista Forbes, o primeiro da categoria a ter destaque na publicação, e se apresenta também como empreendedor jurídico.
Formado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Bauru, no interior de SP, ele é fundador e CEO do escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV), um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do Brasil e da América Latina em número de profissionais e presença nacional.
O advogado Nelson Wilians tem mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram é tem um dos maiores escritórios de advocacia da América Latina.
Reprodução/Redes Sociais
Advogado com a capa da Forbes, ele foi o primeiro do meio a estampar a revista.
Reprodução/ Instagram
Wilians é casado com a também advogada Anne Wilians e é pai de quatro filhos. Ela é sócia do escritório do marido e também é alvo da operação.
Ele também é um dos patrocinadores do piloto de automobilismo Paulinho De’ Carli e tem registro como CAC (Colecionador, Atirador e Caçador), com mais de 10 armas, incluindo o fuzil encontrado durante a operação. Na época da operação do INSS, a Polícia Federal havia informado que irá solicitar à Justiça a cassação do registro dessas armas.
Objetos apreendidos em operação da PF contra fraudes no INSS
Reprodução/TV Globo
Além da vida de luxo, Wilians era colecionador de obras de arte. Na operação de setembro de 2025, a PF encontrou esculturas eróticas e quadros que podem pertencer a Portinari e Di Cavalcanti em endereços ligados a ele e outros empresários alvo da operação contra fraudes no INSS.
Veículos de luxo: Ferrari, Porsche e um Rolls-Royce com banco de couro, teto estrelado e avaliado em R$ 11 milhões, também foram apreendidos.
O acervo apreendido também incluía estátuas de bronze, entre elas uma reprodução de “O Pensador”, de Auguste Rodin. Há ainda peças de caráter sensual e erótico, assinadas pelo escultor austríaco Bruno Zach.
Rolls Royce apreendido
Reprodução
Como funcionava o esquema de fraudes no ICMS
De acordo com a investigação do governo de SP, a organização usava empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional. Essas empresas emitiriam documentos fiscais para dar circulação artificial a créditos de ICMS, depois incorporados à escrituração fiscal de contribuintes.
Eles simulavam ter créditos tributários para vender para as empresas — geralmente pequenas e médias. Mas, segundo a investigação, os créditos eram falsos. As empresas eram multadas. Eles, então, simulavam telas para mostrar que as multas tinham sido quitadas — o que também era falso.
Quadros supostamente pintados por Emiliano Di Cavalcanti são aprendidos pela Polícia Federal com alvos da chamada Operação Cambota.
Montagem/g1/Reprodução/Polícia Federal
Para dar credibilidade ao esquema, o advogado chegava aos compromissos de helicóptero e carros importados.
O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é a principal fonte de receita dos governos estaduais. É um tributo estadual que incide sobre a venda de produtos, a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, e de comunicações.
Escritórios de advocacia, consultorias e intermediadoras participavam do esquema, segundo a investigação. Prospectavam clientes, montavam os contratos e elaboravam pareceres jurídicos para justificar a operação perante o Fisco.
Além do núcleo ligado ao Grupo Nelson Wilians, a apuração também mira agentes dos grupos Alpha e Dmc. Para justificar a origem dos créditos, os investigados alegavam, por exemplo, supostos direitos de massas falidas ou decisões judiciais antigas de desapropriação.
Estátuas apreendidas pela Polícia Federal durante operação.
Reprodução/PF
Para forjar aparência de legalidade, a organização recorria a práticas como: uso indevido de normas administrativas ou de decisões judiciais sem trânsito em julgado para justificar os créditos; apresentação de despachos que seriam falsos, atribuídos a auditores fiscais que não os assinaram; venda de créditos sem relação real com o ICMS, vinculados a empresas sem atividade; uso de "cessões" ou "gerenciamentos" simulados para formalizar o negócio ilícito.
O CIRA/SP abriu 874 Ordens de Serviço Fiscal para analisar cerca de 9.960 lançamentos suspeitos, envolvendo mais de 850 empresas. O comitê afirma que a apuração separa quem agiu de forma consciente do proveito ilícito de quem pode ter sido enganado de boa-fé.
A Secretaria da Fazenda já realizou verificações fiscais que culminaram na lavratura de autos de infração em 752 empresas.
O que diz a defesa de Nelson Wilians
"O Nelson Wilians Advogados esclarece que a gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV.
Ao identificar inconsistências, o escritório encerrou a parceria e comunicou seus clientes.
Na medida cumprida nesta data, o NWADV recebeu as autoridades, prestou integral colaboração e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários.
O NWADV reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência e o devido processo legal".
Objetos apreendidos pela Operação Cambota da Polícia Federal nesta sexta-feira (12).
Reprodução/Polícia Federal