Professor da USP em Ribeirão Preto é condenado a 3 anos de prisão por transfobia contra alunas travestis
11/05/2026
(Foto: Reprodução) Professor da USP de Ribeirão é condenado a 3 anos e 10 meses por transfobia contra alunas
O Tribunal de Justiça condenou o professor Jyrson Guilherme Klamt a três anos e dez meses de prisão em regime aberto por transfobia contra duas alunas travestis do curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP).
O caso aconteceu em novembro de 2023, no refeitório do Hospital das Clínicas. A sentença, em primeira instância, também condenou Klamt a pagar um salário mínimo todo mês durante um ano para uma instituição que presta serviços para a comunidade LGBT+.
Stella Guilhermina Branco Fontanetti e Louise Rodrigues e Silva vão receber R$ 10 mil cada uma por reparação moral.
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O caso aconteceu em novembro de 2023, quando as alunas foram ofendidas e ameaçadas pelo professor enquanto estavam em uma lanchonete do campus, às vésperas da formatura.
À EPTV, afiliada da TV Globo, a defesa de Klamt disse que vai recorrer da sentença. O professor chegou a ser suspenso da USP por seis meses, mas já voltou a dar aulas.
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Ao g1, o advogado Everton Reis, que representa as médicas, disse que vê a decisão como algo histórico.
"É histórica, por legitimar que a violência contra duas alunas trans não deve ser aceita, é histórica porque reforça que esse é um espaço que elas devem estar, não só elas como outras pessoas que façam parte dessa minoria, e é histórica por perceber que ser um servidor público, acarreta várias responsabilidades e que não há mais espaço para aceitar esse tipo de comportamento dentro de uma universidade pública, que tem que garantir minimamente a igualdade, a diversidade, o respeito às diferenças".
O professor Jyrson Guilherme Klamt foi condenado a três anos e dez meses de prisão em regime aberto por transfobia contra duas alunas travestis do curso de medicina da USP de Ribeirão Preto (SP)
Arquivo pessoal
Preconceito e ameaça
Louise Rodrigues e Silva e Stella Branco foram as primeiras alunas travestis da história do curso de medicina em Ribeirão Preto. Em novembro de 2023, elas contaram que foram ofendidas e ameaçadas pelo professor enquanto estavam em uma lanchonete do campus, às vésperas da formatura.
Na época, a faculdade havia implementado o uso livre de banheiros no prédio, conforme identificação de gênero.
“Esse professor se aproximou já em tom de deboche e ironia sobre a questão do dia anterior [inauguração do banheiro livre] e começou a falar coisas de formas irônicas, pejorativas. Ele emendou e perguntou pra mim qual banheiro eu iria usar a partir de agora. Nesse momento eu devolvi perguntando qual banheiro ele achava que eu deveria utilizar. Ele não respondeu e voltou a falar o quão absurdo ele achava pessoas trans usarem o banheiro de acordo com o gênero que se identificam e que a faculdade já não era mais a mesma”, disse Louise.
As duas jovens ficaram sem reação ao escutar o professor e disseram que ele prosseguiu com ameaças e ofensas.
“Aí ele se manifesta dizendo que se a gente usasse o banheiro em que a filha dele estivesse presente, a gente sairia de lá morta. Sem contar que durante toda abordagem ele me tratou no masculino. Já era um professor que me conhecia, sabia meu nome, já tinha passado em uma aula com ele e ele já tinha passado por situações de desrespeito com meu pronome, mas nunca direcionado. Dessa vez ele veio diretamente a mim”, afirmou Louise.
Louise e Stella se conheceram na faculdade de medicina da USP em Ribeirão Preto, SP, e compartilharam processo de transição
Arquivo pessoal
Punições administrativas
As estudantes registraram um boletim de ocorrência por ameaça e injúria racial. Em agosto de 2024, Klamt foi afastado do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto por 180 dias. Com a medida, aplicada em tom punitivo, ele ficou suspenso de todas as atividades clínicas no hospital.
Em outubro de 2024, ele foi suspenso das atividades na Faculdade de Medicina por 90 dias. Na época, a universidade ainda determinou que ele frequentasse um curso de letramento em identidade de gênero e sexualidade promovido pela Comissão de Inclusão e Pertencimento da própria instituição.
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