PMs da Rota são absolvidos pela morte de 'Príncipe' durante a Operação Verão no litoral de SP

  • 28/04/2026
(Foto: Reprodução)
Câmeras de PMs mostram abordagem a 'Príncipe', morto durante Operação Verão A Justiça absolveu os policiais militares Diogo Souza Maia e Glauco Costa, acusados de matar Allan de Morais Santos, conhecido como ‘Príncipe’, em Santos, no litoral de São Paulo. O caso ocorreu durante a Operação Verão, que terminou com 56 mortos na Baixada Santista. "Príncipe" foi baleado e morto pelos agentes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) em 10 de fevereiro de 2024 (assista acima). Ele era roupeiro do Jabaquara Atlético Clube e voltava do trabalho quando foi atingido, a poucos quilômetros do local da partida. Os PMs afirmaram que tinham recebido uma denúncia anônima sobre Allan estar transportando armas. Por isso, a equipe deu ordem de parada ao carro do suspeito, mas ele não obedeceu e iniciou um confronto. O homem foi baleado e um fuzil foi encontrado no porta-malas. Na versão dos PMs, Allan teria disparado com uma pistola contra os policiais. Um agente teria respondido à suposta agressão com quatro tiros de fuzil e outro com quatro tiros de pistola. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Já segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), os policiais teriam simulado o confronto e alterado a cena do crime. De acordo com a promotoria, o tenente Maia efetuou dois disparos de dentro para fora do veículo para simular a troca de tiros e fingir que a vítima disparou nos policiais. Absolvição Em setembro do ano passado, o juiz Alexandre Betini definiu que os policiais fossem submetidos ao julgamento popular. No entanto, a defesa entrou com recurso e, nesta segunda-feira (27), o relator Edison Brandão decidiu pela absolvição sumária dos agentes. O julgamento também teve a participação dos desembargadores Luis Soares de Mello e Roberto Porto. 'Príncipe' morre baleado por PMs após desobedecer ordem de parada e jogar carro contra viatura Reprodução A decisão levou em consideração o laudo pericial que constatou a presença de estojos deflagrados e perfurações de fora para dentro do carro de ‘Príncipe’. Além disso, o relator afirmou que o fuzil foi encontrado no automóvel conforme informado na denúncia anônima e, portanto, não poderia ter sido plantado. “Não se vê, de outro lado, qualquer indício ou elemento consistente que pudesse indicar ação deliberada dos réus, com intenção homicida, muito menos alteração da cena com a introdução de um cartucho no interior do veículo, para simular a ocorrência de um primeiro disparo pelo ofendido”, esclareceu. Edison Brandão, portanto, determinou que os agentes agiram em legítima defesa, conforme argumentado pela defesa que solicitou recurso. “Não se pode exigir heroísmo por parte dos acusados, ou que esperassem que a vítima ceifasse uma vida para que, só então, pudessem se defender, quando talvez já fosse tarde demais”, argumentou o relator, na decisão. Quem era Allan? Allan tinha passagem pela polícia por tentativa de homicídio e associação criminosa. Ele chegou a ser preso, mas cumpria pena em regime aberto e seguia suas obrigações com a Justiça, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), comparecendo ao cartório mensalmente. A família de Allan nega que ele continuasse tendo envolvimento com a facção criminosa PCC, e afirma que ele havia deixado o crime há anos. Naquela semana, ele tinha sido aprovado no exame prático para a categoria D da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Isso permitiria fizesse excursões de van com a esposa. O que diz a investigação? Segundo os investigadores, Allan não fugiu e nem jogou o carro na viatura. Os policiais teriam seguido o carro da vítima por alguns metros, até que o ultrapassaram e bloquearam a passagem. A ordem de parada, então, foi obedecida por ele. Denúncia do Ministério Público traz foto em que PM obstrui câmera durante ação que deixou um morto Reprodução O Ministério Público diz que um dos policiais, o tenente Maia, foi até próximo à janela do veículo e, à curta distância, efetuou quatro disparos sequenciais de fuzil. Atingido, “o carro da vítima andou e colidiu levemente com a viatura, que estava à sua frente bloqueando a passagem”. Em seguida, o agente Costa disparou outras quatro vezes com uma pistola na direção da vítima. Os primeiros tiros de fuzil, no entanto, já haviam resultado “na incapacidade de a vítima ter coordenação motora nos seus membros superiores”. Com o tiro de fuzil, em razão da multiplicidade e gravidade dos ferimentos, não havia como a vítima manobrar e acelerar o carro para fugir do local, tampouco manusear uma pistola para disparar, em meio ao confronto, contra os policiais. “Por volta das 17h39min [um minuto após a ordem de parada], a vítima já havia sido atingida, ao todo, por seis tiros que causaram a fratura de ossos da face, fratura de arcos costais, fratura exposta de clavículas direita e esquerda e fratura de braço direito e esquerdo”, diz a denúncia. A perícia havia encontrado um estojo deflagrado no banco do carona e um fragmento de projétil no assoalho do banco do motorista. Também havia marca de disparo de arma de fogo efetuado do lado de dentro do veículo. Allan de Morais foi atingido por seis tiros Reprodução Simulação da troca de tiros Segundo a promotoria, para simular uma troca de tiros e fingir que a vítima disparou nos policiais, o tenente Maia foi até a janela do carro, mexeu no braço da vítima e efetuou dois disparos, de dentro para fora do veículo. A câmera corporal (COP) do tenente estava descarregada, mas as câmeras de policiais que estavam mais afastados capturaram os estampidos. Enquanto isso, o outro PM deitou no chão para que sua câmera não gravasse a cena. A gravação de um outro policial, que chega ao local da ocorrência minutos depois, flagrou que não havia um estojo deflagrado dentro do veículo logo após o crime. “Essa cápsula deflagrada não estava no veículo imediatamente após o suposto confronto, sendo colocada em momento posterior, quando não havia por perto policiais com COPs", diz a denuncia. Veículo da vítima é cercado por quatro viaturas da Rota Reprodução Os agentes afirmam ter encontrado a pistola que teria sido usada por Allan e a mostram nas imagens das câmeras quase uma hora depois da ação. Eles também afirmam ter achado, 23 minutos depois, um fuzil no porta-malas do carro da vítima. Só que, logo após a vítima ser atingida, o mesmo policial havia revistado o porta-malas, pelo interior do veículo, e não havia encontrado nada de ilícito. Segundo a denúncia, Diogo Souza Maia e Glauco Costa teriam então “agido com a intenção de matar, com emprego de recurso que dificultou a defesa” e depois simulado uma troca de tiros. Body cam mostra que PM Diogo Maia sugere nova revista no carro do suspeito Reprodução PMs afastados O MP pediu a suspensão dos agentes da corporação ou que fossem afastados das ruas. O juiz Alexandre Betini, de Santos, acolheu parcialmente o pedido e determinou que os policiais passassem a fazer apenas trabalhos administrativos. Outros dois agentes que eram investigados por estar na mesma viatura foram considerados inocentes, por não terem participado efetivamente da morte. PMs taparam as câmeras corporais Segundo o MP, “todos os policiais adotaram condutas que impossibilitaram a devida captação das imagens pelas câmeras portáteis (COP)”. E não só os quatro agentes, mas vários dos 30 agentes da Rota que participaram da ocorrência. As imagens mostram que um dos policiais deixou a COP virada para baixo no banco da viatura, outro chega a andar para trás para não mostrar o local do crime. Alguns foram impedidos por outros PMs de se aproximarem. Há ainda um agente que bloqueia a câmera com o dedo ou a mão - um deles por mais de meia hora. Quem não obstruiu por iniciativa própria, foi alertado para que a câmera fosse bloqueada, como ocorreu no momento em que outro policial tampou a lente da COP do seu colega. Só permaneceu próximo ao veículo da vítima quem estava com a COP descarregada. Quem possuía câmeras operantes ficou afastado e/ou de costa. “Os policiais militares, ao adotarem essas condutas de obstrução por cerca de 20 minutos, buscaram impedir que a investigação conseguisse identificar quem foi o responsável pelo implante do fuzil no porta-malas”, afirmam os promotores. As diretrizes da Polícia Militar determinam que o policial deve usar a câmera com a imagem totalmente desobstruída, assim como manter a câmera em direção à ocorrência “sendo vedada qualquer ação deliberada que possa prejudicar a captação de imagens e áudio, tais como: a sobreposição das mãos, de peças do EPI ou do armamento (bandoleira, coronha, etc.); corpo do policial voltado para local diferente daquele onde o fato de interesse policial se desenvolve.” Além das imagens das câmeras, os promotores Marcio Leandro Figueroa, Raissa Maximiliano, Daniel Magalhães, Francine Pereira Sanches e Fábio Perez Fernandez ouviram cinco testemunhas -- duas delas protegidas. Operações Escudo e Verão Considerando a Operação Escudo, em 2023, e a Operação Verão, entre janeiro e abril de 2024, 94 pessoas foram mortas na Baixada Santista. Quatro PMs foram assassinados no período. As mortes começaram após o assassinato do PM da Rota Samuel Wesley Cosmo, de 30 anos, no dia 2 de fevereiro de 2023. Ele foi baleado no rosto durante um patrulhamento em Santos. Em resposta, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o secretário de Segurança, Guilherme Derrite, decidiram iniciar a Operação Escudo, enviando policiais de batalhões de várias cidades do estado para o litoral. Poucos dias depois, em 7 de fevereiro, outro policial foi assassinado: o cabo da PM José Silveira dos Santos. Após a segunda morte de um agente, a secretaria montou um gabinete em Santos para coordenar a operação. “Vamos para cima até pegar todos”, disse Derrite à época. Já o governador elogiou o trabalho da corporação: “Estou extremamente satisfeito com a ação da polícia, a partir do momento que a polícia é hostilizada e que a autoridade policial não é respeitada, há o confronto”, disse Tarcísio, após as primeiras 16 mortes no litoral. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/04/28/pms-da-rota-sao-absolvidos-pela-morte-de-principe-durante-a-operacao-verao-no-litoral-de-sp.ghtml


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