Peixes invasores e seus impactos ganham força com o aquecimento do planeta
15/07/2026
(Foto: Reprodução) Tilápa é um dos peixes que acumula impactos
aonwaramis / iNaturalist
Os peixes invasores estão modificando o funcionamento de ecossistemas aquáticos em diferentes regiões do planeta, e os efeitos podem se tornar ainda mais intensos à medida que o clima aquece. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Global Change Biology, uma das principais publicações internacionais da área de Ecologia.
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Liderada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a pesquisa reuniu dados de 636.980 peixes, distribuídos em 667 comunidades de 402 lagos localizados no Brasil, Canadá, França e Espanha.
Segundo os pesquisadores, comunidades sob maior pressão de espécies invasoras apresentam alterações importantes na estrutura de tamanho dos peixes e na biomassa das espécies nativas, modificando processos ecológicos fundamentais para o funcionamento dos ambientes aquáticos.
Segundo os autores, "o estudo fortalece nossa capacidade de antecipar o impacto das invasões biológicas sobre comunidades de água doce e seus serviços ecossistêmicos em um cenário de mudanças globais".
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Invasores mudam o funcionamento dos lagos
Uma carpa nada na superfície de uma lagoa no parque Palmengarten em Frankfurt, na Alemanha
Michael Probst/AP
Os pesquisadores analisaram dados coletados entre 2001 e 2024 em lagos naturais e reservatórios. Ao todo, foram avaliadas 404 espécies de peixes, permitindo analisar comunidades onde espécies nativas e não nativas coexistem sob diferentes níveis de invasão.
O trabalho mostra que, quanto maior a presença de espécies invasoras, maior é a alteração na estrutura das comunidades aquáticas. Isso significa que a distribuição entre peixes pequenos e grandes deixa de seguir o padrão normalmente esperado pela Ecologia, afetando o fluxo de energia dentro do ecossistema.
Os autores explicam que peixes invasores ocupam diferentes funções ecológicas e podem alterar profundamente a organização das comunidades por meio da predação, da competição por alimento e espaço e, de forma indireta, por mudanças nas condições do habitat.
O efeito muda conforme a temperatura
Um dos principais resultados da pesquisa é que o impacto das invasões depende da temperatura do ambiente.
Em lagos mais quentes, peixes invasores predadores exercem maior pressão sobre indivíduos pequenos e juvenis. Segundo o estudo, temperaturas mais elevadas aumentam a demanda metabólica e a atividade alimentar desses predadores, favorecendo a captura de presas menores e alterando a estrutura das comunidades nativas.
Já em ambientes mais frios, o efeito dominante é outro. Espécies invasoras que ocupam níveis tróficos inferiores competem por recursos como alimento, abrigo e áreas utilizadas pelas espécies nativas, reduzindo principalmente sua biomassa.
Como resumem os pesquisadores, "espécies não nativas de níveis tróficos inferiores podem ter impactos ainda maiores do que peixes piscívoros ao remodelar a estrutura das comunidades e reduzir a biomassa das espécies nativas".
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Mudanças climáticas ampliam o desafio
Os resultados indicam que invasões biológicas e mudanças climáticas podem atuar em conjunto, ampliando os impactos sobre a biodiversidade aquática.
Segundo os autores, compreender como a temperatura e as espécies invasoras interagem é fundamental para prever os impactos das mudanças climáticas sobre as comunidades de água doce. O estudo conclui que estratégias de conservação e manejo devem considerar não apenas quais espécies invasoras estão presentes em um ambiente, mas também sua posição na cadeia alimentar e as condições climáticas de cada região.
A pesquisa foi conduzida pela pós-doutoranda Barbbara Silva Rocha, do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), sob supervisão do professor Victor Satoru Saito, em colaboração com pesquisadores de instituições do Brasil, Canadá, França, Espanha e Reino Unido.
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