Mulher com condição rara que teve bebê gestado pela tia de 63 anos fala sobre relação familiar pós-parto: 'Estaremos sempre juntas'

  • 10/05/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher de 63 anos gera bebê para realizar sonho de sobrinha em Itapetininga Para muitas mulheres, a maternidade é um dos maiores sonhos da vida. Mas gerar um filho biológico nem sempre é a única forma de se tornar mãe. No caso de Mary Ellen Marques, de 32 anos, que não possui útero devido a uma condição rara, a tecnologia e um gesto de extrema generosidade tornaram possível a realização desse sonho. O filho de Mary Ellen foi gestado pela tia, Maria Ambrosia Marques, de 63 anos, na forma de "barriga solidária". O pequeno Samuel nasceu às 18h33 do dia 27 de fevereiro, com 2,5 kg. A mãe e o pai, Danilo Marques, acompanharam o parto dentro do centro cirúrgico. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp No Dia das Mães, celebrado neste domingo (10), o g1 e a TV TEM mostram como está a vida da família de Itapetininga (SP) após a chegada do menino. Mary Ellen conta que para ela todo o processo aconteceu como se fosse dentro do próprio útero. "Nunca tive problema nenhum do Samuel ter sido gerado na barriga da Tia Maria. Ela é como se fosse uma mãe para mim. Senti ele mexer, eu sempre colocava a mão na barriga. A emoção que senti foi como se fosse dentro do meu útero. Nós temos uma conexão muito grande. Eu sempre tive o sonho de ser mãe e tudo isso é muito gratificante. Meu filho é uma bênção", diz. Maria Ambrosia gerou a criança pela sobrinha Reprodução/TV TEM A mãe faz questão que a tia acompanhe de perto a criação e o crescimento de Samuel. Muitas vezes, segundo ela, as pessoas entendem que a barriga solidária deve participar apenas da gestação e se afastar após o nascimento, o que não é necessariamente verdade. "As pessoas têm essa dúvida, mas pelo contrário. Ela, apesar de ter gerado, é considerada como a avó do Samuel. Ele vai crescer e ter muito contato com ela. Nossa família é muito reduzida, mas muito unida. Estamos sempre juntos e almoçando juntos. Quanto mais amor para o meu filho, melhor", destaca. Maria Ambrosia diz que vê Samuel como um "filho do coração" e que o amor que sente pela criança é reflexo do amor que já sentia pela sobrinha. "Eu sinto muito amor por ele, desde quando eu colocava a mão da Mary Ellen para sentir na barriga. Chorei de alegria quando o Samuel nasceu. Foi um presente de Deus que eu gerei para ela. Ele é um filho do coração e, para mim, um neto. É maravilhoso poder contribuir com a felicidade de outra pessoa", pontua. 🍼 Sonho da maternidade Nasce bebê gerado por tia de 63 anos para sobrinha com síndrome rara no interior de SP Mary Ellen é casada há quatro anos com Danilo, de 40 anos. Eles se conheceram pelas redes sociais, logo após ela se divorciar. "Desde o início eu contei para ele que tinha o sonho de ser mãe. Eu sempre falo que nasci com esse desejo, mas cresci sabendo que não poderia gerar filhos", conta. Ela explica que, em relacionamentos anteriores, o desejo de adotar uma criança não foi aceito pelos parceiros. "Hoje entendo que foi um livramento. Quando conheci o Danilo, perguntei se ele queria ter mais um filho, porque ele já tem uma menina de 16 anos. E ele respondeu que sim, que Deus havia prometido um filho da promessa chamado Samuel", lembra. LEIA TAMBÉM: Quase 80% das famílias em Itapetininga que utilizam benefícios sociais são chefiadas por mulheres; veja mapa Grávida aos 62 anos dá à luz sexta filha: 'Sentimento maravilhoso', diz pai Mais de 5,4 mil crianças foram registradas apenas com o nome da mãe no interior de SP desde 2020 O casal decidiu iniciar o processo de adoção, mas, no fim de 2024, a esperança de ter um filho biológico voltou a ganhar força. Uma amiga mostrou nas redes sociais o vídeo de uma mulher que gestou o bebê de uma amiga, e a história reacendeu em Mary Ellen o desejo de seguir pelo mesmo caminho. "Entrei em contato com a moça do vídeo e, por incrível que pareça, nós temos a mesma síndrome. Ela me indicou uma clínica em Goiânia (GO)", relata. Os pais do Samuel, com a tia que permitiu que eles realizassem o sonho de ter um filho Arquivo Pessoal/Mary Ellen Marques O casal viajou até Goiânia, onde fez a coleta dos óvulos de Mary Ellen e do material genético de Danilo. Dez embriões foram congelados. Depois de uma tentativa que não deu certo e sem outras opções entre familiares e amigas, Mary Ellen decidiu esperar. Oito meses depois, a mesma amiga lhe enviou outro vídeo, dessa vez de uma mulher de 62 anos que havia gerado o bebê da sobrinha. "Mostrei o vídeo para a minha prima Kelly, filha da tia Maria. Ela mostrou para a tia, que respondeu na hora: 'Fale para a fia que eu vou para ela'. Quando recebi a notícia, quase caí dura de felicidade", conta emocionada. Samuel nasceu na noite desta sexta-feira (27) em Itapetininga (SP) Arquivo Pessoal/Mary Ellen Marques A partir daí, começaram os exames médicos" Minha tia é muito saudável, teve três filhos de parto normal, nunca fez tratamento de saúde e está ótima. Passou por cardiologista, endocrinologista, mastologista, ginecologista e psicólogos, e todos atestaram a capacidade física e mental dela para gerar nosso bebê." A advogada da família, especializada em reprodução assistida, entrou com o pedido de autorização no Conselho Regional de Medicina (CRM). "Em junho, recebemos a liberação para a transferência do embrião. Fomos novamente a Goiânia e, nove dias depois, veio o tão sonhado positivo", celebra Mary Ellen. 💙 A dinda do Samuel Kelly, prima de Mary Ellen e técnica de enfermagem, foi escolhida para ser a madrinha do pequeno Samuel. Filha mais velha de Maria, Kelly conta que também chegou a se oferecer para gerar o bebê, mas precisou retirar o útero após um problema de saúde. Em agosto de 2025, Kelly foi a "guardiã" do segredo sobre o sexo do bebê e organizou o chá revelação. Ela conta que se emocionou ao descobrir que seria um menino, promessa, segundo ela, que Deus havia feito à família. O nome escolhido foi Samuel, que significa "nome de Deus". 🏥 O parto Mary Ellen possui uma síndrome que faz com que ela não tenha útero Reprodução/TV TEM Maria Ambrosia passou por uma cesariana no fim da tarde de 27 de fevereiro. O procedimento foi antecipado após pequenas alterações na pressão arterial. "Foi indescritível. Eu já sabia que seria um momento único, mas sentir aquilo foi como se o céu descesse ali. Muitos médicos achavam que ele precisaria de UTI por causa da prematuridade ou da idade da gestante, mas nem ele nem a tia precisaram. Ele nasceu saudável, e o centro cirúrgico inteiro chorou. Todo mundo pôde contemplar de perto a obra de Deus. É muita emoção", disse Mary Ellen. A tia também falou sobre a experiência após o parto. "Eu estou bem, graças a Deus. Já passei pela cesárea, agora estou aqui só me recuperando. Correu tudo bem. Estou me sentindo realizada e muito feliz pela minha sobrinha e pelo Samuelzinho. Agora é só vitória. Só ver ele crescer", disse. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/05/10/mulher-com-condicao-rara-que-teve-bebe-gestado-pela-tia-de-63-anos-fala-sobre-relacao-familiar-pos-parto-estaremos-sempre-juntas.ghtml


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