Mapa da Desigualdade da Grande SP: São Caetano tem melhor desempenho entre 39 municípios; Pirapora do Bom Jesus fica em último

  • 06/08/2026
(Foto: Reprodução)
Elevada quantidade de espuma é vista no rio Tietê na cidade de Pirapora do Bom Jesus, em São Paulo, por causa da poluição, em 2015. Alex Falcão/Futura Press/Estadão Conteúdo O primeiro Mapa da Desigualdade da região metropolitana de São Paulo, lançado nesta quinta-feira (6), revela que São Caetano do Sul, no ABC Paulista, é o município com o melhor desempenho entre as 39 cidades da região. Na outra ponta do ranking aparece Pirapora do Bom Jesus, na região Oeste da metrópole. A capital paulista ocupa a 16ª colocação na classificação geral. Produzido pela Rede Nossa São Paulo e pelo Instituto Cidades Sustentáveis, o levantamento reúne 40 indicadores distribuídos em nove áreas para retratar as desigualdades entre os municípios onde vivem mais de 21 milhões de pessoas. Entre as áreas estão saúde, educação, segurança pública, habitação, transporte e mobilidade, infraestrutura, meio ambiente, cultura e pobreza, trabalho e renda. Na classificação geral, São Caetano do Sul lidera com 29 pontos, seguido por Santana de Parnaíba (27,6), Ribeirão Pires (27,3), Vargem Grande Paulista (25,7) e Poá (25,6). Já os cinco últimos colocados são: Pirapora do Bom Jesus (17 pontos); Francisco Morato (18 pontos); Juquitiba (20 pontos); Itapecerica da Serra (20 pontos); Embu das Artes (20,4 pontos). A cidade de São Paulo aparece em 16º lugar, com 23,5 pontos. Agora no g1 Mais no g1 São Paulo: Igreja em SP é condenada a pagar R$ 100 mil após associar pedofilia com a comunidade LGBT+ Defesa Civil monta gabinete de crise e alerta para ventos de até 100 km/h em SP a partir desta quinta Eletricista morre após ser atropelado na faixa de pedestres na Zona Norte de SP Receba as últimas notícias da Grande SP no seu WhatsApp Segundo os organizadores, o estudo mostra que municípios vizinhos, conectados pela mesma dinâmica econômica e pelo deslocamento diário de trabalhadores, apresentam realidades muito distintas quando o assunto é acesso a serviços públicos e qualidade de vida. O Mapa da Desigualdade da região metropolitana de São Paulo foi elaborado com base em dados oficiais de órgãos como IBGE, DataSUS, Inep e Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). Ao todo, foram analisados 40 indicadores, com anos de referência entre 2010 e 2024, para comparar os 39 municípios da maior região metropolitana do país. O objetivo é orientar gestores públicos na definição de prioridades e políticas voltadas à redução das desigualdades territoriais. Idade média ao morrer Entre os resultados mais expressivos está a desigualdade na longevidade da população. Em São Caetano do Sul, a idade média ao morrer é de 76 anos, a maior da Grande São Paulo. Em Francisco Morato, último colocado nesse indicador, a média é de 60 anos — uma diferença de 16 anos entre cidades separadas por pouco mais de 60 quilômetros. Apenas São Caetano do Sul e Santo André apresentam idade média ao morrer superior a 70 anos. A capital paulista aparece na terceira colocação, com média de 69 anos. Em outras 14 cidades da região, a população vive, em média, menos de 65 anos. A saúde também apresenta outras diferenças relevantes. Enquanto Vargem Grande Paulista registra cobertura vacinal de 99,8%, Rio Grande da Serra imunizou apenas 29% da população-alvo. Longa fila é registrada em Feirão do Emprego em Mauá, na Grande SP, em 2023. Arquivo pessoal Mauá lidera população em favelas Na área da habitação, Mauá concentra o maior percentual de moradores vivendo em favelas e comunidades urbanas da região metropolitana: 27,5% da população, ou o equivalente a cerca de 115 mil pessoas. Na sequência aparecem Itaquaquecetuba, com 24,7%, e Diadema, com 22,3% da população vivendo em favelas e comunidades. Na cidade de São Paulo, o índice é de 15%. No outro extremo, sete municípios não registram moradores vivendo em favelas ou comunidades urbanas segundo o indicador utilizado pelo levantamento: Guararema, Juquitiba, Salesópolis, Santa Isabel, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra e Vargem Grande Paulista. Violência contra população LGBTQIA+ O estudo também reúne indicadores de segurança pública que vão além das taxas de homicídio e feminicídio. Entre eles está a taxa de notificações de violações de direitos humanos contra a população LGBTQIA+, registradas pelo Disque 100. Nesse indicador, Itaquaquecetuba apresenta a maior taxa, com 47,1 notificações para cada 100 mil habitantes. Na capital paulista, o índice é de 11,52 notificações por 100 mil habitantes. Investimento em infraestrutura Os investimentos públicos em infraestrutura urbana também mostram forte desigualdade. Barueri lidera o ranking, com investimento de R$ 1.157,30 por habitante em 2023. O número equivale a R$ 365 mil. Na sequência aparecem: Guararema, com R$ 993,06 Cajamar, com R$ 839,48 Itapevi, com R$ 690,87 Santana de Parnaíba, com R$ 663,56 Santa Isabel, com R$ 581,97 Mairiporã, com R$ 476,10 Juquitiba, com R$ 388,61 Cotia, com R$ 344,49 Ribeirão Pires, com R$ 343,98 Já Pirapora do Bom Jesus, Biritiba Mirim e Diadema não registraram investimento na área no período analisado. Entre os maiores municípios da Grande São Paulo, Guarulhos investiu R$ 298 por morador, enquanto Osasco destinou apenas R$ 50 por habitante. A diferença entre o maior e o menor investimento supera 500 vezes, segundo o levantamento. No abastecimento de água, 11 municípios da Grande SP têm atendimento universal. Reprodução/TV Globo Saneamento básico Os maiores contrastes identificados pelo estudo aparecem na infraestrutura de saneamento. Em Juquitiba, apenas 19,5% da população é atendida por rede de esgoto, ou equivalente a 5.300 pessoas dos 27.400 moradores da cidade. Em contrapartida, Poá, Santo André e Taboão da Serra registram cobertura de 100%. No abastecimento de água, 11 municípios têm atendimento universal, com água limpa e tratamento d esgoto. Já São Lourenço da Serra e Juquitiba atendem menos da metade dos moradores. PIB elevado x qualidade de vida Na área econômica, o levantamento mostra que riqueza produzida nem sempre se traduz em melhores condições de vida. Cajamar registra o maior PIB per capita da região metropolitana, de R$ 312,7 mil por habitante. No outro extremo está Francisco Morato, com R$ 13,5 mil — valor cerca de 23 vezes menor. Os autores do estudo ressaltam, porém, que o PIB per capita representa a produção econômica do município e não necessariamente a renda efetivamente recebida pelos moradores, razão pela qual cidades com forte atividade industrial ou logística podem apresentar riqueza elevada sem reduzir suas desigualdades sociais.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/08/06/mapa-da-desigualdade-da-grande-sp-sao-caetano-tem-melhor-desempenho-entre-39-municipios-pirapora-do-bom-jesus-fica-em-ultimo.ghtml


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