Justiça torna réus 7 acusados de integrar esquema de receptação e revenda de celulares roubados em SP

  • 24/09/2026
(Foto: Reprodução)
Megaoperação mira esquema de roubo, desbloqueio e revenda de celulares em SP A Justiça de São Paulo tornou réus sete acusados pelo Ministério Público de integrar uma organização criminosa especializada em receptar, desbloquear, adulterar e revender celulares roubados e furtados. Os promotores pedem ainda que o grupo seja condenado a pagar quase R$ 90 milhões por danos morais coletivos. Os sete foram alvos da Operação Frankmobile, deflagrada em 10 de setembro, e tiveram as prisões preventivas decretadas. Eles respondem por organização criminosa. Três também são processados por falsidade ideológica e dois por receptação qualificada. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a estrutura funcionava como uma cadeia para transformar aparelhos roubados ou furtados em produtos com aparência de origem legal. A investigação identificou desde a receptação dos telefones e tentativas de movimentar dinheiro das contas bancárias das vítimas até o desbloqueio de IMEI e iCloud, a emissão de notas fiscais falsas e a revenda dos aparelhos e de suas peças. A denúncia foi apresentada em 17 de setembro contra Hugo Araújo Cavalcante, Amine Awada, Henrique Paschoalino Siqueira, Mohamad Abdul Hassan Rkain, Gleice Santos de Matos, Marcelo Lopes da Silva, conhecido como “Macumba”, e José Carlos Nobre Modena. O Ministério Público pediu à Justiça a prisão preventiva dos sete. Segundo os promotores, há risco de reiteração dos crimes e de interferência na produção de provas. O Gaeco afirma que parte dos investigados continuou atuando no setor mesmo depois de medidas cautelares e apreensões realizadas em uma operação anterior, a Salus et Dignitas. A denúncia é parcial. Outros alvos de buscas, bloqueios de bens e suspensão de atividades econômicas continuam sendo investigados, e o Ministério Público afirma que poderá posteriormente incluir novos acusados no processo. Celulares apreendidos em São Paulo Reprodução/TV Globo Como funcionava o esquema De acordo com o Gaeco, a investigação identificou uma cadeia dividida em quatro etapas. A primeira era formada pelos autores dos roubos e furtos. Na segunda, receptadores recebiam os aparelhos e, em alguns casos, tentavam acessar aplicativos bancários e dados pessoais das vítimas. Na terceira etapa entravam estabelecimentos especializados em desbloquear os celulares. Segundo a denúncia, eram utilizados softwares e equipamentos para retirar bloqueios de ativação e vínculos com contas em nuvem, alterar o IMEI ou substituir fisicamente placas-mãe e outros componentes. Por fim, empresas compravam, desmontavam, remontavam e revendiam os aparelhos e suas peças. O Gaeco afirma que celulares roubados e furtados recebiam documentação fiscal que lhes dava aparência de origem lícita antes de serem novamente colocados no mercado, inclusive por plataformas de comércio eletrônico. Segundo a investigação, os diferentes núcleos não funcionavam de maneira isolada. Pessoas e empresas poderiam atuar em mais de uma etapa. Os sete denunciados estariam concentrados principalmente nos núcleos de desbloqueio e alteração técnica e de comercialização. Empresas movimentaram mais de R$ 60 milhões Um dos principais personagens apontados pelo Gaeco é Hugo Araújo Cavalcante, descrito na denúncia como operador central do núcleo responsável pela comercialização e pelo reprocessamento dos celulares. Segundo o MP, Hugo utilizava diferentes empresas do ramo de telefonia. Ele era titular da Hugo Araújo Cavalcante-ME, que usava o nome fantasia Rennova Phone, e seria proprietário e administrador de fato da Rennova Store Comércio de Equipamentos de Telefonia e da TR Cell Comércio de Equipamentos de Telefonia, formalmente registradas em nome de sua mulher e de sua sogra. As duas disseram em depoimento, segundo a denúncia, que as empresas haviam sido abertas a pedido de Hugo e eram administradas por ele. O próprio investigado também teria reconhecido ser o proprietário de fato e afirmado que colocou os negócios em nome das familiares devido a restrições de crédito em seu CPF. Relatórios produzidos a partir de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram que TR Cell e Rennova Store movimentaram, juntas, mais de R$ 60 milhões. A TR Cell, segundo o documento, acumulou movimentações consideradas atípicas de aproximadamente R$ 30,1 milhões em créditos e R$ 30,2 milhões em débitos. O MP afirma que os valores eram incompatíveis com o porte declarado das empresas e que foram identificados repasses entre companhias ligadas ao próprio grupo, depósitos em dinheiro e pulverização de recursos por diversas contas. Notas fiscais falsas A denúncia acusa Mohamad Abdul Hassan Rkain, Gleice Santos de Matos e Marcelo Lopes da Silva, o “Macumba”, de utilizarem notas fiscais eletrônicas com informações falsas entre setembro de 2022 e agosto de 2024. Para o Ministério Público, os documentos faziam parte do mecanismo usado para dar aparência lícita aos aparelhos comercializados. Amine Awada e Henrique Paschoalino Siqueira, por sua vez, são acusados especificamente de terem recebido, na Casa do Celular SP, na Rua Santa Ifigênia, um Samsung Galaxy Z Flip 3 furtado. Segundo a denúncia, eles sabiam da origem criminosa do aparelho.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/24/justica-torna-reus-7-acusados-de-integrar-esquema-de-receptacao-e-revenda-de-celulares-roubados-em-sp.ghtml


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