Justiça torna réu bombeiro que matou estudante de Medicina a tiros após briga de trânsito em Taubaté
09/10/2026
(Foto: Reprodução) Bombeiro que matou estudante de Medicina chega a presídio militar em SP
William Almeida/TV Vanguarda
A Justiça tornou réu o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, que matou a tiros o estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, após uma discussão de trânsito em Taubaté, no interior de São Paulo. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (9) pelo juiz Flavio de Oliveira Cesar, da Vara do Júri, Infância e Juventude.
O bombeiro responde por homicídio qualificado. Ele admite ter efetuado os disparos, mas afirma que agiu em legítima defesa. O recebimento da denúncia pelo juiz significa que a ação penal seguirá para as próximas etapas, para que ele seja julgado.
Na decisão, o magistrado considerou que há elementos reunidos durante a investigação que justificam o andamento do processo. Ele determinou que o bombeiro seja citado para apresentar resposta escrita à acusação no prazo de 10 dias, contado a partir do cumprimento do mandado por um oficial de Justiça.
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Marcos está preso preventivamente no presídio militar Romão Gomes, na capital, por determinação liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Justiça mantém prisão de bombeiro que matou estudante
Novo depoimento
Um novo depoimento prestado à Polícia Civil reforçou a versão de que Marcos teria iniciado a abordagem contra Bruno. Segundo a testemunha, os dois carros estavam parados em um semáforo na Avenida do Povo, em Taubaté, quando o motorista do Jeep teria gritado para o estudante descer do veículo.
Na sequência, ainda de acordo com o depoimento, Marcos teria quebrado o vidro de um carro com o cotovelo, levantado a camiseta, sacado uma arma preta e feito cinco disparos contra Bruno.
A testemunha afirmou que não viu uma reação agressiva da vítima antes dos tiros. Também disse que não viu Bruno portar qualquer objeto ou arma. O depoimento foi anexado ao processo.
Testemunha diz que bombeiro quebrou vidro com cotovelo, xingou e atirou 5 vezes; estudante não reagiu, segundo depoimento; FOTO mostra canivete
Arquivo pessoal
Uma fotografia obtida pelo g1 também mostra um canivete encontrado dentro do carro de Bruno. O objeto tem cabo azul e parte cortante prateada e aparece próximo a estilhaços de vidro.
O canivete foi apreendido durante a investigação e encaminhado para análise. A Polícia Civil não encontrou uma arma de fogo com Bruno.
A existência do canivete é citada na versão apresentada por Marcos. Segundo o bombeiro, ele acreditou que estava sendo ameaçado e afirmou ter agido em legítima defesa.
Relembre o caso
Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, era estudante de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau), era casado e tinha um filho. Ele morreu após ser baleado durante uma discussão de trânsito na cidade.
De acordo com as informações da investigação, o bombeiro teria quebrado o vidro do carro do estudante e efetuado quatro disparos. Bruno foi atingido no pescoço, no tórax e no braço esquerdo.
Durante a apuração, a polícia afastou a hipótese de legítima defesa. Um canivete foi encontrado no carro da vítima, mas nenhuma arma de fogo foi localizada com o estudante.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público atribui ao bombeiro homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. As qualificadoras serão analisadas ao longo do processo.
Defesa
Desde o início da investigação, a defesa de Marcos sustenta que ele teria agido em legítima defesa. O bombeiro afirmou que acreditou estar sendo alvo de uma tentativa de assalto e que viu um objeto que teria parecido uma arma.
Após a denúncia do MP-SP, a defesa informou, por meio de nota, que adotará as medidas cabíveis e que apresentará suas manifestações e teses defensivas no processo, respeitando o contraditório e a ampla defesa.
Estudante de Medicina morto por bombeiro em Taubaté foi baleado quatro vezes; tiros atingiram pescoço, tórax e braço
Reprodução/TV Vanguarda
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