Justiça autoriza quebras de sigilo bancário de vereador e seu filho por suspeita de 'rachadinha' em Campinas

  • 07/05/2026
(Foto: Reprodução)
Justiça autorizou quebra de sigilo bancário do vereador Edison Ribeiro Câmara de Campinas A Justiça de Campinas (SP) autorizou as quebras de sigilo bancário e fiscal do vereador Edison Ribeiro (União Brasil) e de seu filho André Cristhiano Cayres Ribeiro por suposta participação de ambos em um esquema de "rachadinha" que também envolvia um ex-administrador regional da Prefeitura. As quebras ainda foram motivadas pelo suposto uso de maquinários públicos em benefício de uma festa junina promovida pelo parlamentar. Esse outro caso será apurado junto ao da "rachadinha", conforme ação ajuizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). Segundo o juiz Claudio Campos da Silva, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, as medidas têm como objetivo esclarecer os fatos. "Especialmente quanto à verificação da compatibilidade entre a renda declarada e a movimentação financeira dos investigados, bem como para a identificação de eventual percurso de valores indevidamente auferidos", justificou. A defesa de Edison e André, representada por Rodolfo Nóbrega Luz, disse que "aguardará a citação dos clientes e o acesso aos autos em sua íntegra". ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp No entanto, o advogado afirmou, desde já, "que não há qualquer irregularidade que ampare a ação proposta pelo MP e que será devidamente demonstrada durante a instrução do processo". A Prefeitura de Campinas, por sua vez, informou que a festa junina foi realizada com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo, visto que os recursos públicos utilizados partiram de emenda impositiva do vereador. Porém, o Executivo apura o uso dos maquinários. Sobre a "rachadinha", a administração ponderou que são condutas individuais e relacionadas a um vereador e a um ex-servidor — leia manifestação completa abaixo. 'Rachadinha' Foto de arquivo da Administração Regional 13, em Campinas (SP). Prefeitura de Campinas O MP detalhou duas apurações à Justiça para pedir as quebras de sigilo bancário e fiscal dos suspeitos. A primeira delas é um suposto caso de "rachadinha". 🔎 O que é a "rachadinha"? É quando um agente público recebe parte dos salários de assessores ou funcionários, configurando crimes como peculato ou concussão. A pena é de reclusão de 2 a 12 anos e multa. O ex-administrador regional Guilherme do Prado Raymundo disse, durante sindicância instaurada pela Prefeitura de Campinas, que a Administração Regional 13 (AR13) "é de Edison" e que ele foi colocado no cargo por influência do vereador, por isso se sentia "submisso" ao parlamentar e seu filho. A AR13 é responsável por serviços públicos em bairros como Parque Itajaí, Jardim Bassoli, Jardim Florence, Cidade Satélite Íris e Jardim Nova Esperança. Em depoimento ao MP, Guilherme relatou que "levava para casa R$ 7 mil" do seu salário, mas que "ganhava mais, então repassava o resto" a Edson e/ou a André. Por meio do Portal da Transparência da Prefeitura, o promotor Angelo Santos de Carvalhaes levantou que enquanto o ex-administrador regional esteve no Executivo a sua remuneração variou entre R$ 9.406,43 e R$ 12.406,69. Maquinários públicos Maquinários públicos teriam sido utilizados para nivelar área Reprodução/MP O fato de Guilherme estar na AR13 teria possibilitado que maquinários públicos fossem supostamente utilizados em benefício do "Arraiá do Satélite Íris", promovido pelo vereador em 29 e 30 de junho de 2024. Em junho de 2024, motoniveladoras da Prefeitura teriam sido usadas para nivelar um terreno que serviria de estacionamento para a festa junina. Tal situação supostamente ocorreu sem aprovação da Secretaria de Serviços Públicos ou do coordenador da Coordenadoria das Administrações Regionais. Segundo Guilherme, Edison solicitou diretamente a ele os serviços. Os maquinários foram utilizados ainda que o ex-administrador regional tivesse conhecimento da irregularidade. "Mesmo sabendo que não era regular fazer o serviço eu não podia fazer nada, eu era submisso e tinha que acatar às ordens do vereador", contou Guilherme ao MP. Ainda de acordo com o ex-administrador regional, a festa teria acontecido dentro do campo de futebol do Satélite Iris, sendo que no local que iria servir de estacionamento "teria sido realizado um nivelamento do terreno para proteção dos veículos que ali iriam estacionar". Embora tenha obtido alvará da Secretaria de Cultura e Turismo, o evento não tinha permissão para usar maquinários públicos para melhorias. Ao MP, Edison negou que o espaço tenha sido utilizado, mas reconheceu que o serviço de nivelamento foi feito. Ele ainda explicou que o evento foi realizado por meio "da Secretaria de Cultura do Município de Campinas, com recursos provenientes de emenda impositiva". O g1 Campinas e Região não conseguiu localizar a defesa de Guilherme. Casos anteriores O vereador de Campinas Edison Ribeiro Câmara de Campinas O promotor pediu as quebras de sigilo bancário e fiscal de Edison e seu filho André. A solicitação foi aceita pela Justiça no último dia 28 e foram apoiadas por dois casos anteriores envolvendo a família: "Rachadinha de comissionados" - O vereador e seu filho já são alvos de processos cível e criminal sobre "rachadinha", ajuizados pelo MP em 2023. A denúncia aponta que o vereador teria obrigado assessores nomeados em seu gabinete, na prefeitura, em empresas públicas e na subprefeitura do distrito do Campo Grande para cargos em comissão a entregarem parte do salário. André seria responsável pela coleta do dinheiro. "Caminho da Servidão" - Ajuizada pelo MP, a investigação mostrou que Edison teria cobrado R$ 3 mil de cada morador do Caminho de Servidão “G”, no Residencial Colina Verde, para pavimentar a via. Os valores foram levados pelos moradores à AR13, embora o serviço tenha sido executado pela Prefeitura. O que diz a Prefeitura de Campinas A referida festa não teve cunho privado. Trata-se de um evento público, que integrou a programação de festas juninas com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo. Os recursos públicos utilizados na festa (para a montagem do palco, sistema de som, iluminação e banheiros químicos) são originários de emendas impositivas feitas pelo vereador. A destinação de verbas é uma prerrogativa do parlamentar e, no caso da realização de eventos, seu uso é autorizado mediante a adoção de critérios como a não cobrança de ingressos e ausência de limitação para o público, entre outros. O uso de maquinários para a organização do evento está sendo apurado pela administração. Sobre a denúncia ligada ao ex-administrador regional, a Prefeitura esclarece que as condutas apuradas são individuais e relacionadas a um vereador e a um ex-servidor. A Prefeitura reforça que atua com transparência e mantém colaboração permanente com os órgãos de controle e fiscalização, estando à disposição para fornecer as informações solicitadas pelas autoridades competentes. Vídeos em alta no g1 VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/05/07/justica-autoriza-quebras-sigilo-vereador-filho-por-rachadinha-campinas.ghtml


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