Gêmeas que morreram em cirurgia de separação das cabeças em SP sobreviveram por 2 e 12 minutos

  • 18/08/2026
(Foto: Reprodução)
Gêmeas que morreram durante cirurgia de separação tinham organismo frágil, diz médico As gêmeas nascidas unidas pela cabeça Helena e Heloísa, de 2 anos e 7 meses, que morreram no fim de semana durante a cirurgia que as separaria de maneira definitiva, em Ribeirão Preto (SP), sobreviveram por dois e 12 minutos, respectivamente após o fim do procedimento, no sábado (15). Segundo o Hospital das Clínicas, com os corpos já separados, a capacidade de resposta das meninas diminuiu gradativamente e Helena foi a primeira sofrer uma parada cardiorrespiratória, às 23h12. Ela foi reanimada por 25 minutos e o óbito foi declarado às 23h37. Às 23h26, enquanto Helena ainda era reanimada, Heloísa sofreu uma parada cardiorrespiratória e também não respondeu às tentativas de ressuscitação da equipe por 25 minutos. O óbito dela foi declarado às 23h51. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Um dos membros da equipe médica, o cirurgião plástico Jayme Farina Júnior disse nesta terça-feira (18) que, além da complexidade da cirurgia de separação dos crânios, os organismos das meninas eram mais frágeis. "Elas tinham muitas pneumonias, elas tinham traqueostomia, precisaram de uma gastrostomia para alimentação, elas tiveram episódios que fragilizaram o organismo também. Na hora que faz aquela ligação final, o organismo sente, porque ocorre uma instabilidade na pressão arterial e isso tudo vai sendo corrigido pela equipe de anestesia o tempo inteiro. Mas, na hora da separação final, os organismos não resistiram a essa instabilidade. E aí, evoluindo para a parada". LEIA TAMBÉM Gêmeas que nasceram unidas pela cabeça morrem em cirurgia final de separação Gêmeas siamesas apresentaram falha no sistema cardiovascular antes de morrerem ‘Tudo o que a ciência conhece foi feito’, diz enfermeiro após morte de gêmeas ‘Mamãe ama vocês duas daí do céu’, escreve mãe de gêmeas que morreram em cirurgia Ainda segundo o Hospital das Clínicas, ao longo das 15 horas de cirurgia, as gêmeas apresentaram instabilidade hemodinâmica e instabilidade da pressão arterial, que foram revertidas repetidas vezes pela equipe médica responsável pelo caso. 🔎Instabilidade hemodinâmica é quando o sistema cardiovascular é incapaz de manter o fluxo sanguíneo adequado e a pressão arterial nos órgãos vitais. A instabilidade da pressão arterial é o principal sinal desta condição e pode levar à falência múltipla dos órgãos. Ao longo do procedimento, uma das meninas apresentou hipotensão (pressão baixa) enquanto a outra apresentou hipertensão (pressão alta). Pai das meninas, Amarildo Batista da Silva disse em setembro do ano passado, após a segunda cirurgia, que sonhava em ver as filhas separadas. Heloisa e Helena, gêmeas que nasceram unidas pela cabeça morreram na última cirurgia de separação, em Ribeirão Preto, SP Arquivo pessoal Saúde frágil chegou a cancelar cirurgia anteriormente Por causa da saúde frágil de Heloísa e Helena, a equipe médica já tinha cancelado uma das cirurgias anteriormente. Desta vez, as condições eram estáveis para a realização da quinta etapa do procedimento "Nós abortamos um procedimento que seria realizado há um mês, porque elas não estavam tão bem, para que elas melhorassem. Foi feito nesse dia porque elas estavam no melhor estado possível. Se elas não tivessem, talvez eu tivesse postergado mais um pouquinho", explica Luis Vicente Garcia, Diretor do Serviço de Anestesiologia do HC. Segundo ele, por causa do estado de saúde das meninas, a equipe considerava que poderia concentrar esforços separadamente na recuperação de cada uma. "A gente imaginava que, no momento que houvesse a separação total, que a gente pudesse cuidar de cada uma de forma separada e resolver essas questões. Mas aconteceu diferente do que a gente pensava. Quando o cirurgião disse 'estão separadas, não tem mais circulação em comum', as duas começaram a piorar. A que estava hipertensa foi ficando hipotensa, a que estava hipotensa, mais hipotensa ainda, e elas pararam com uma diferença pequena de tempo entre uma e outra". Heloisa e Helena foram enterradas no domingo (16), em São José dos Campos (SP), onde vive a família. Gêmeas unidas pela cabeça passam por última cirurgia em Ribeirão Preto, SP Divulgação/ Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Cinco cirurgias em um ano Heloísa e Helena começaram a passar pelas cirurgias em agosto de 2025. Desde o início, a equipe médica optou por dividir a separação em etapas, para reduzir os riscos e preparar as estruturas compartilhadas pelas meninas. A primeira cirurgia, em 23 de agosto de 2025, concluiu cerca de 25% da separação planejada. A segunda, em novembro, durou cerca de dez horas. Na terceira, em 28 de fevereiro deste ano, os médicos informaram ter alcançado aproximadamente 75% da separação do cérebro e dos vasos sanguíneos compartilhados. A quarta etapa, em 21 de março, teve outro objetivo. Os médicos instalaram bolsas expansoras para aumentar a quantidade de pele disponível na cabeça das duas, necessária para fechar os crânios depois da separação definitiva. Amarildo Batista da Silva acompanhou as filhas gêmeas siamesas na segunda cirurgia de separação de crânio, em Ribeirão Preto, SP Divulgação/HC Ribeirão Preto Terceiro caso no HC de Ribeirão Preto O caso de Heloísa e Helena é o terceiro de gêmeas craniópagas, como são chamadas as crianças que nascem unidas pela cabeça, conduzido pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, e o primeiro que termina com a morte de pacientes. O primeiro foi o das irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, do Ceará. Elas foram separadas em 2018 depois de dois anos de acompanhamento e planejamento. Em agosto de 2023, o hospital realizou a separação definitiva de Alana e Mariah. A última cirurgia daquele caso durou 25 horas. Nos três casos, as equipes utilizaram exames de imagem e tecnologias de planejamento para estudar previamente as estruturas compartilhadas entre as crianças. No caso de Heloísa e Helena, o planejamento durou mais de um ano e incluiu tomografias, ressonâncias magnéticas, projeções de realidade virtual e impressão de modelos em três dimensões para preparar as cinco etapas da separação. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/08/18/gemeas-que-morreram-em-cirurgia-de-separacao-das-cabecas-sobreviveram-por-2-e-12-minutos.ghtml


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