Egípcia grávida e filhos são autorizados a entrar no Brasil após quase um mês retidos no Aeroporto Internacional de SP

  • 08/05/2026
(Foto: Reprodução)
Família egípcia diz que está retida há 16 dias no Aeroporto Internacional de SP A mulher grávida e os dois filhos do egípcio Abdallah Montaser foram autorizados a entrar no Brasil após quase um mês retidos na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A família havia solicitado refúgio ao chegar ao país em 8 de abril, em meio ao agravamento dos conflitos e da instabilidade no Oriente Médio. O pai das crianças, no entanto, continua impedido de ingressar no território brasileiro. A liberação parcial foi confirmada na quarta-feira (7) pelo advogado da família, Willian Fernandes, que classificou a decisão como um “avanço importante”, mas afirmou que seguirá atuando pela reunificação familiar. “É um avanço, mas ainda incompleto. Não há solução justa sem a reunificação familiar. Seguiremos atuando para garantir que o pai também possa entrar no Brasil e exercer plenamente seu direito de conviver com sua família”, afirmou o advogado. A mulher grávida e os dois filhos do egípcio Abdallah Montaser foram autorizados a entrar no Brasil após quase um mês retidos na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Arquivo pessoal Segundo a defesa, a mulher e os filhos deixarão a área restrita do aeroporto e serão acolhidos por entidades de apoio a migrantes que acompanham o caso desde o início. Organizações da sociedade civil já haviam se mobilizado para denunciar as condições enfrentadas pela família durante a retenção (leia mais abaixo). O caso ganhou repercussão nas últimas semanas após entidades de direitos humanos, movimentos de apoio a migrantes e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados classificarem a situação como uma possível violação de direitos humanos. A mulher estava na 34ª semana de gestação e, segundo a defesa, precisou de atendimento médico após relatar ausência de movimentos do bebê. O advogado também afirmou que uma das crianças possui doença celíaca e intolerância a lactose. O advogado afirmou ainda que reconhece a atuação recente da Polícia Federal diante da situação da gestante e das crianças. “Houve sensibilidade neste momento por parte da Polícia Federal, especialmente diante da condição da mãe e do impacto sobre as crianças. Esse é um passo importante, que precisa agora ser ampliado”, afirmou Fernandes. Família do Egito está retira na área restrita do aeroporto de SP à espera de refúgio Arquivo Pessoal LEIA TAMBÉM: Justiça Federal autoriza entrada no Brasil de casal palestino retido no aeroporto em Guarulhos após concessão de habeas corpus Casal palestino de Gaza diz que está retido há 6 dias no aeroporto internacional de SP após pedir refúgio Nota de repúdio Após a liberação da mulher e das crianças, o Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC) divulgou uma nota pública cobrando mudanças nos procedimentos migratórios adotados no aeroporto em Guarulhos e afirmando que o caso da família egípcia “não é isolado”. Segundo a entidade, ao menos quatro situações semelhantes de retenção prolongada na área restrita do aeroporto foram acompanhadas nos últimos seis meses. Todos os casos envolviam pessoas em busca de proteção humanitária ou refúgio. O texto também menciona o caso do ganês Evans Osei Wusu, que morreu em 2024 enquanto aguardava definição sobre a entrada no país na área restrita do aeroporto. Segundo o CDHIC, o episódio evidenciou “os limites de práticas que priorizam a lógica securitária em detrimento da proteção da dignidade humana”. Família do Egito está retira na área restrita do aeroporto de SP há quase 20 dias à espera de refúgio Arquivo Pessoal O CDHIC afirmou que os procedimentos têm resultado em “permanências compulsórias prolongadas”, sem acesso adequado à informação, ao contraditório e à ampla defesa. A entidade reconheceu o papel da Polícia Federal no controle migratório, mas criticou a falta de análises individualizadas. “Entretanto, a adoção de critérios securitários — inclusive baseados em informações provenientes de bases de dados internacionais — não pode substituir o devido processo legal, nem afastar a necessidade de análise individualizada de cada caso concreto”, diz a nota. Debate sobre regras migratórias A retenção da família foi fundamentada, segundo a defesa, em normas administrativas ligadas à Portaria nº 770/2019, usada em procedimentos migratórios para análise de ingresso no país. O advogado sustenta que a aplicação dessas regras ocorreu de forma genérica, sem individualização adequada. “Não é admissível que uma norma administrativa permita rotular pessoas como perigosas sem transparência, sem contraditório e sem fundamentação individualizada. Isso fere frontalmente o devido processo legal e abre espaço para arbitrariedades”, afirmou. Há duas semanas, a Justiça Federal autorizou a entrada no Brasil de uma família palestina que também havia sido barrada no Aeroporto de Guarulhos após pedir refúgio. Segundo a defesa, o entendimento reforça a tese de que as medidas administrativas precisam ser revistas em casos humanitários. Jovem Abdallah Montaser Arquivo Pessoal Caso mobilizou entidades Mais de dez entidades ligadas à defesa de migrantes e refugiados assinaram um manifesto cobrando uma solução humanitária para o caso. O documento apontava risco à saúde da gestante e criticava a permanência da família por semanas em área restrita do aeroporto. Em nota divulgada anteriormente, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara apontou “grave violação de direitos humanos” e pediu providências urgentes ao Ministério da Justiça e ao Ministério das Relações Exteriores. A Polícia Federal afirmou anteriormente que atua no controle migratório “em estrita observância à legislação brasileira e aos compromissos internacionais assumidos pelo país” e disse que não comenta casos concretos por causa do sigilo de dados pessoais. Já o Ministério da Justiça informou que não comenta casos específicos relacionados a pedidos de refúgio em razão do sigilo previsto na legislação brasileira.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/08/egipcia-gravida-e-filhos-sao-autorizados-a-entrar-no-brasil-apos-quase-um-mes-retidos-no-aeroporto-internacional-de-sp.ghtml


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