Denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes quase triplicam em SP em 10 anos

  • 13/07/2026
(Foto: Reprodução)
ECA Digital, Estatuto da Criança e do Adolescente que cria novas regras para o acesso de menores à internet, entra em vigor Jornal Nacional/ Reprodução O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos nesta segunda-feira (13) em meio a um cenário de aumento da violência contra crianças e adolescentes no estado de São Paulo. Dados da Fundação Abrinq e do Ministério da Saúde mostram que as denúncias de violência sexual quase triplicaram nos últimos dez anos. No mesmo período, as notificações de violência física cresceram 65%. Especialistas afirmam que, embora a legislação tenha ampliado a proteção à infância e à adolescência, a escalada da violência continua sendo um dos principais desafios para o poder público e para a sociedade (leia mais abaixo). Segundo os dados, em 2016 foram registrados 371 casos de violência física contra crianças e adolescentes no estado. Em 2025, esse número chegou a 613, alta de 65%. Já as notificações de violência sexual tiveram crescimento ainda maior: o total de casos registrados em 2025 é quase três vezes superior ao de 2016. Em 2016, foram registrados 4.667 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no estado. Em 2025, esse chegou a 14.124. Menino era torturado há 1 ano por família, diz polícia Para especialistas, o cenário revela que a rede de proteção ainda enfrenta dificuldades para prevenir e interromper situações de violência. "O grande desafio nos tempos atuais no Brasil e também no Estado de São Paulo tem sido o enfrentamento à violência. Entre elas, a violência sexual, os próprios estupros de vulneráveis, que são crescentes. Existe uma escalada de violência contra crianças e adolescentes", afirmou Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB. Nos últimos meses, dois episódios de violência extrema ganharam repercussão na capital paulista. Em maio, na Zona Leste, duas crianças, de 7 e 10 anos, foram abusadas sexualmente por quatro adolescentes e um homem adulto. Segundo a investigação, os suspeitos conviviam com a família das vítimas e chamaram os meninos para empinar pipa antes de levá-los a uma casa, onde ocorreram os abusos. De acordo com a Polícia Civil, o adulto gravou os estupros e compartilhou os vídeos. Ele foi preso. Os adolescentes foram encaminhados à Fundação Casa. Também em maio, outro caso provocou comoção: o menino Douglas Kratos, de 11 anos, morreu após sofrer sucessivas agressões. O pai, a madrasta e a avó paterna foram presos. As investigações apontam que a criança era mantida acorrentada ao pé da cama. A madrasta e a avó respondem por suspeita de tortura qualificada e também são investigadas pela morte do menino. Cartilha orienta pais Em meio ao avanço dos riscos enfrentados por crianças e adolescentes, a Defensoria Pública de São Paulo lançou uma cartilha sobre o chamado ECA Digital, com orientações para famílias sobre o uso seguro da internet. O material reúne informações sobre classificação indicativa das plataformas, idades mínimas para uso das redes sociais e medidas de proteção previstas na legislação. Segundo a defensora pública Patrícia Oliveira, responsável pela elaboração da cartilha, o acompanhamento da rotina digital dos filhos é uma das principais formas de prevenção. "A gente começa acompanhando diretamente em casa, orientando os filhos, sabendo o que eles estão fazendo no dia a dia. Às vezes a pessoa está no quarto ao lado e não sabe o que o filho está fazendo", afirmou. A cartilha também informa que a Defensoria Pública pode notificar plataformas digitais para solicitar a retirada de conteúdos que violem direitos de crianças e adolescentes. Atuação conjunta Para a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB-SP, Thaís Dantas, o ECA criou um sistema de proteção que vai além do Judiciário e depende da atuação integrada de diversos órgãos. Segundo ela, escolas, unidades de saúde, assistência social e, principalmente, os Conselhos Tutelares têm papel fundamental na identificação rápida de situações de risco e na proteção das vítimas. Patrícia Oliveira afirma que o principal desafio continua sendo fortalecer essa rede de proteção. "A responsabilidade é compartilhada. Famílias, poder público e sociedade como um todo precisam somar esforços. Também é preciso cuidar das famílias para que elas possam exercer seu papel na proteção da infância e da adolescência", disse.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/07/13/denuncias-de-violencia-sexual-contra-criancas-e-adolescentes-quase-triplicam-em-sp-em-10-anos.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. A Matter of Feeling

Duran Duran

top2
2. Stayin' Alive

Bee Gees

top3
3. Love Of My Life

Queen

top4
4. Forever and Ever

Demis Roussos

top5
5. We Said Goodbye

Davi Maclean

Anunciantes