Corregedoria da Polícia Civil apura por que facada em cabeleireiro foi registrada só como lesão corporal em SP
11/05/2026
(Foto: Reprodução) Cenas de descontrole e crimes
A Corregedoria da Polícia Civil abriu investigação para apurar por que a facada dada por uma cliente em um cabeleireiro na Zona Oeste de São Paulo foi registrada apenas como lesão corporal.
O crime aconteceu na terça-feira (5), quando a cliente Laís Gabriela Barbosa da Cunha, de 27 anos, procurou o cabeleireiro Eduardo Ferrari para pedir a devolução do dinheiro, após um suposto corte malsucedido em sua franja.
Após uma discussão dentro do salão, enquanto Eduardo Ferrari atendia uma outra cliente, Laís tirou uma faca da bolsa e desferiu contra o profissional que estava de costas.
A facada só não foi mais profunda porque o gerente do salão, Felipe Castro, acompanhava a discussão entre os dois e impediu que algo mais grave acontecesse (veja vídeo acima).
A Polícia Militar foi chamada no local e o caso foi registrado no 91º Distrito Policial (Ceasa) como lesão corporal, ameaça e autolesão.
Mas a defesa de Ferrari afirma que o que houve foi uma tentativa de homicídio seguido pelo crime de homofobia.
VÍDEO: mulher que esfaqueou cabeleireiro em SP explica porque cometeu o ataque
Por meio de nota enviada ao Fantástico, da TV Globo, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) lamentou o episódio e disse que a Corregedoria vai investigar o crime.
“A Polícia Civil lamenta o ocorrido e informa que a Corregedoria da instituição instaurou procedimento para apurar todas as circunstâncias relativas ao caso. A vítima e sua representante legal foram contatadas e uma nova oitiva agendada para a sede da Corregedoria, nesta segunda-feira (11)”, afirmou.
Segundo a pasta, “a tipificação inicial da ocorrência é realizada a partir dos elementos disponíveis no momento do registro, podendo haver reavaliação jurídica dos fatos no decorrer da investigação, conforme o surgimento de novas provas ou depoimentos, sem prejuízo à atuação policial ou da análise do Ministério Público e do Poder Judiciário”.
“A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a apuração dos fatos e a garantia dos direitos de todos os envolvidos”, declarou a nota.
Eduardo Ferrari deve prestar depoimento à Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira (11).
A advogada de defesa do cabeleireiro - Quecia Montino - "entende que a dinâmica da agressão, a violência empregada, o local atingido e demais circunstâncias do caso merecem uma análise mais aprofundada pelas autoridades competentes”.
Montino afirmou que vai procurar o Ministério Público para que o crime seja reclassificado como homofobia e tentativa de homicídio.
O que diz a defesa de Laís Gabriela
Laís Gabriela Barbosa da Cunha, de 27 anos, foi autuada no 91° DP em SP por lesão corporal, ameaça e autolesão.
Reprodução/TV Globo
A defesa de Laís Gabriela Barbosa da Cunha, de 27 anos, afirmou, por meio de nota, que a jovem tem transtorno psicótico diagnosticado desde 2023 e interrompeu os remédios em razão de uma hepatite em tratamento.
Segundo o advogado criminalista Murilo Augusto Maia, que representa a agressora, Laís faz tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e foi ao salão falar com o cabeleireiro Eduardo Ferrari, vítima da facada, "na tentativa de solucionar o problema" da insatisfação com o corte.
A nota da defesa de Laís afirma que ela portava uma faca de cozinha na bolsa no dia do episódio, na terça-feira (5), "em razão de ter sido vítima de assalto nas proximidades do terminal rodoviário da Barra Funda".
“Laís mora na cidade de Ribeirão Preto, retornou a São Paulo no último dia 05, oportunidade que teve para ir até o estabelecimento, onde foi tratada com desprezo e deboche. (...) [Ela] encontra-se extremamente abalada com toda a repercussão do caso, afirma que jamais pensou em tentar contra a vida de Eduardo e que portava uma faca de cozinha em razão de ter sido vítima de assalto nas proximidades do terminal rodoviário da Barra Funda”, disse o advogado.
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“Laís foi diagnosticada com transtorno psicótico agudo e transitório não especificado em 2023, recentemente esteve internada com o quadro clínico de hepatite medicamentosa, sendo necessário interromper o uso dos medicamentos do tratamento que faz junto ao CAPS”, declarou.
Reclamações da cliente
Na nota enviada ao Fantástico, da TV Globo, o advogado Murilo Maia justificou que a mulher fez o corte em abril e que, já no dia seguinte, fez contato com o salão de Ferrari para demonstrar a insatisfação com o serviço prestado.
No entanto, ao não conseguir resolver o problema por meio de mensagens eletrônicas, voltou a São Paulo pessoalmente.
Conforme o g1 publicou, o episódio envolvendo Laís e o cabeleireiro Eduardo Ferrari aconteceu no salão dele na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo.
No dia do episódio, o crime foi registrado no 91º Distrito Policial (Ceasa) como lesão corporal, ameaça e autolesão.
Mulher é presa por agredir cabeleireiro com faca por não gostar de corte de cabelo na Barra Funda, em São Paulo.
Reprodução/Redes Sociais
A advogada de defesa do profissional disse que vai procurar o Ministério Público de São Paulo para que o crime seja reclassificado como tentativa de homicídio e homofobia.
Segundo Montino, o cabeleireiro foi atacado por Laís Gabriela “de forma repentina, desproporcional e violenta pelas costas" numa conduta que ela classifica como “grave tentativa de homicídio”.
“Causa preocupação o fato de que a própria autora dos fatos declarou, perante os policiais e à autoridade policial responsável, que teria se dirigido ao local com a intenção de 'matar esse viado desgraçado'", disse.
Em vídeo enviado ao g1, Eduardo afirmou ainda estar profundamente abalado com o episódio e cobrou punição para a agressora. Para ele, o caso deve ser investigado como tentativa de homicídio: “Isso não pode ficar impune" (assista abaixo).
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Veja a íntegra da nota da defesa de Laís Gabriela Cunha:
"Em razão dos fatos ocorridos em 05 de maio de 2026, no salão de beleza de Eduardo Ferrari, localizado na Avenida Marquês de São Vicente, 405, Barra Funda, São Paulo - SP, prestamos os seguintes esclarecimentos: No dia 07 de abril de 2026, Laís compareceu ao estabelecimento para realizar procedimento capilar de mechas, sendo atendida por Eduardo, proprietário do salão de beleza.
Lais permaneceu de costas para o espelho enquanto Eduardo realizava o serviço contratado. Em determinado momento, o profissional passou a efetuar o corte fio navalha, dividindo todo o cabelo de Laís, passando a navalha mecha por mecha.
No dia seguinte ao procedimento, Laís percebeu que o resultado não foi o esperado. Profundamente abalada e em decorrência de um corte químico, decidiu em 13 de abril procurar o salão na tentativa de solucionar o problema, mas não obteve retorno dos profissionais responsáveis.
No dia 14, inconformada com a falta de resposta, se excedeu nas mensagens de whatsapp, sendo informada pela equipe do salão que não seria possível dar continuidade ao atendimento por aquele canal, mas que estariam à disposição para entender e solucionar o problema.
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Portanto, é falsa a afirmação que Laís demorou 30 dias para questionar o procedimento realizado por Eduardo. Importante mencionar que Laís mora na cidade de Ribeirão Preto, retornou a São Paulo no último dia 05, oportunidade que teve para ir até o estabelecimento, onde foi tratada com desprezo e deboche.
Laís foi diagnosticada com transtorno psicótico agudo e transitório não especificado em 2023, recentemente esteve internada com o quadro clínico de hepatite medicamentosa, sendo necessário interromper o uso dos medicamentos do tratamento que faz junto ao CAPS.
Laís, encontra-se extremamente abalada com toda a repercussão do caso, afirma que jamais pensou em tentar contra a vida de Eduardo e que portava uma faca de cozinha em razão de ter sido vítima de assalto nas proximidades do terminal rodoviário da Barra Funda.
Murilo Augusto Maia, advogado criminalista - OAB/SP 467.274"