Ciência encontra mais mamíferos nos trópicos; muitos podem sumir antes de serem conhecidos

  • 11/05/2026
(Foto: Reprodução)
Morcego-Pescador-Grande (Noctilio leporinus) sergiosaraguro22 / iNaturalist As regiões tropicais continuam sendo a principal fonte de descoberta de mamíferos no planeta. Um estudo publicado na revista científica Journal of Systematics and Evolution analisou 1.116 espécies descritas entre 1990 e 2025, concluindo que a maioria das descobertas ocorreu em países da América do Sul, na África e no Sudeste Asiático. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Apesar desse protagonismo territorial, os pesquisadores identificaram que os estudos feitos em países do hemisfério norte ainda utilizam mais tecnologia e realizam análises mais detalhadas. A pesquisa foi conduzida por cientistas brasileiros e avaliou como as descrições de novas espécies mudaram nas últimas décadas. Foram considerados fatores como: O número de espécies analisadas; A quantidade de espécies comparadas; O tamanho das descrições científicas; As linhas de evidência utilizadas, incluindo análises genéticas. Roedor resgatado na área de construção da barragem em Cordeirópolis Divulgação/Prefeitura de Cordeirópolis Segundo o pesquisador Matheus de T. Moroti, um dos autores principais do estudo, a concentração de descobertas nos trópicos acontece por fatores biológicos e históricos. “Os países que começaram antes o desenvolvimento técnico-científico geralmente estão em regiões temperadas, então, boa parte das descrições desses países já aconteceram no passado”, explica. Além disso, ele afirma que as regiões tropicais, apesar da alta diversidade, começaram a "corrida do conhecimento" com atraso. Outro dado importante apontado pela pesquisa é que morcegos e roedores lideram as descobertas recentes, representando em conjunto mais de 67% das espécies descritas no período analisado. Isso acontece porque esses grupos são extremamente diversos, compostos por espécies pequenas, noturnas e difíceis de se detectar em campo. Conforme explicam os pesquisadores, muitos vivem em habitats de difícil acesso, como copas de florestas e cavernas. Várias dessas espécies também são morfologicamente (fisicamente) muito parecidas entre si, e o que permite a diferenciação são justamente os estudos de DNA. VIU ISSO? Como cientistas ‘caçam’ vírus pelo mundo para antecipar pandemias Entre doces, flores e poesia: a história de Cora Coralina emociona gerações Pedra ligada à lenda da Pedra Filosofal brilhava sozinha no escuro; entenda o mistério DNA e a ampliação das descobertas O DNA pode armazenar enorme quantidade de dados e suas necessidades de conservação não consomem muita energia Getty Images via BBC As descrições de espécies se tornaram mais detalhadas ao longo do tempo. Nas décadas de 1990 e 2000, as análises dependiam quase exclusivamente de características físicas dos espécimes. Hoje em dia, integram ferramentas modernas, especialmente técnicas moleculares. A análise de DNA tornou-se uma das principais ferramentas para a taxonomia. Segundo Matheus, ela permite identificar espécies que possuem histórias evolutivas diferentes, mas que são similares ou praticamente idênticas por fora. Veja o que está em alta no g1: Vídeos em alta no g1 De acordo com Jhonny J. M. Guedes, outro autor principal da pesquisa, a genética revolucionou a ciência moderna ao revelar espécies “escondidas” dentro de grupos aparentemente iguais. “Ela permite detectar diferenças evolutivas que não são visíveis externamente, revelando duas ou mais espécies no que antes era tratado como uma única espécie”, diz Jhonny. Apesar desse avanço, os pesquisadores destacam que o DNA não substitui os métodos tradicionais. “Descrever uma espécie continua exigindo uma comparação cuidadosa com espécies já conhecidas”, alerta. Na maioria dos casos, a integração entre evidências moleculares e morfológicas é o caminho mais confiável. O peso da desigualdade científica Presença da anta é essencial para a formação e manutenção da biodiversidade dos habitats em que ela ocorre Gabriel Marchi Embora os países tropicais concentrem a maior biodiversidade do planeta, pesquisadores dessas regiões enfrentam grandes dificuldades estruturais. Tecnologias avançadas, como sequenciamento genético, tomografia computadorizada e microscopia de alta resolução, ainda são mais acessíveis em países ricos do Norte Global. A diferença de investimento é um entrave direto na descrição de novas espécies. O artigo aborda o “impedimento taxonômico”, um conceito utilizado para descrever as barreiras que dificultam a catalogação da biodiversidade. Os principais problemas citados incluem a falta de financiamento, a escassez de especialistas e a concentração de exemplares históricos em museus estrangeiros. “Como consequência, o processo de descrição torna-se mais caro e complexo, pois frequentemente exige viagens e acesso a coleções estrangeiras”, completa Jhonny. O cientista Matheus Moroti ressalta que esse cenário gera uma forte dependência. “Quando um país ainda não tem uma capacidade científica desenvolvida, ele fica dependente de países estrangeiros para descreverem sua biodiversidade. Uma prática que chamamos de colonialismo científico”. Tudo isso ocorre em meio ao avanço do desmatamento e das mudanças climáticas, o que pode levar animais à extinção antes mesmo de serem conhecidos pela ciência. A pesquisa conclui que a ampliação de investimentos, o fortalecimento de pesquisadores locais e a democratização tecnológica são medidas fundamentais para reduzir essas desigualdades. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/05/11/ciencia-encontra-mais-mamiferos-nos-tropicos-muitos-podem-sumir-antes-de-serem-conhecidos.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. A Matter of Feeling

Duran Duran

top2
2. Stayin' Alive

Bee Gees

top3
3. Love Of My Life

Queen

top4
4. Forever and Ever

Demis Roussos

top5
5. We Said Goodbye

Davi Maclean

Anunciantes