Câmera instalada para flagrar tatu registra cutia cuidando dos filhotes no interior de SP
28/10/2026
(Foto: Reprodução) Câmera instalada para flagrar tatu registra cutia cuidando dos filhotes no interior de SP
Uma câmera instalada para registrar a presença de um tatu em uma área de mata de Santa Rita do Passa Quatro (SP) acabou revelando uma cena inesperada: uma cutia cuidando dos filhotes diante de uma toca. O flagrante surpreendeu o observador da natureza Jeferson Fernando de Oliveira Ferreira, responsável pelo equipamento.
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Jeferson instalou a armadilha fotográfica, conhecida como câmera trap, em um ponto da mata que ainda não conhecia. Como havia um buraco no chão, esperava registrar um tatu. Mas, ao conferir as 132 gravações, encontrou imagens de uma cutia com filhotes ainda pequenos.
“No primeiro vídeo, vi esses lindos filhotes. Fiquei assustado porque eram bem pequenos e eu só tinha registros dela já adulta. Parei e comecei a assistir a todas as captações. Fiquei emocionado, pois nunca tinha visto algo assim”, relata.
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Os esconderijos das cutias
A professora da Universidade Federal de Rondonópolis e coordenadora do Projeto Incisivos, iniciativa de divulgação científica sobre roedores, Gisela Sobral, explica que as cutias podem construir os próprios abrigos ou aproveitar estruturas já existentes.
Como não são boas escavadoras, frequentemente ocupam tocas feitas por outros animais, como os tatus, que têm grande habilidade para escavar.
Câmera instalada para flagrar tatu registra cutia cuidando dos filhotes no interior de SP
Jeferson Fernando de Oliveira Ferreira
Quando constroem os próprios abrigos, costumam escolher barrancos e terrenos de solo macio. No entanto, também podem se esconder em troncos ocos, arbustos e outros espaços que ofereçam proteção.
Esses refúgios são essenciais para a sobrevivência das cutias. Além de protegê-las contra predadores, chuva e calor, oferecem segurança durante a criação dos filhotes.
Mesmo sob o calor intenso do meio-dia, é possível encontrar cutias na mata. No entanto, elas costumam ser vistas com mais frequência pela manhã, quando muitos de seus predadores estão dormindo e o risco de ataques é menor.
“A coisa mais curiosa que elas fazem é evitar os horários em que os predadores estão ativos. Em geral, os predadores delas são noturnos”, comenta Gisela.
Sinal de alerta
Quando percebem uma ameaça, as cutias adotam diferentes estratégias de defesa. Uma delas é emitir um som semelhante a um latido.
Também podem bater as patas traseiras no chão, produzindo um som parecido com o de um tambor para alertar outros indivíduos da espécie sobre a presença de perigo.
Viver em grupo também representa uma vantagem, já que um animal pode alertar os demais.
Além disso, as cutias são ágeis e conseguem dar saltos altos, o que facilita a fuga e o acesso a abrigos.
O cardápio dos filhotes
Câmera trap registra cutia cuidando dos filhotes no interior de SP
De acordo com Gisela, as cutias, assim como as capivaras e os porquinhos-da-índia, dão à luz os chamados “filhotes precoces”. Eles nascem com pelos e já conseguem enxergar e ouvir.
Poucas horas após o nascimento, os filhotes conseguem andar e consumir alimentos sólidos, como frutas, sementes, polpas, folhas e raízes. Em algumas ocasiões, também podem comer larvas de insetos, embora continuem sendo amamentados.
A amamentação dura cerca de cinco meses. Durante esse período, os filhotes acompanham a mãe e aprendem quais alimentos consumir e onde encontrá-los.
Qual é a espécie?
As imagens não permitiram identificar com segurança a espécie de cutia registrada pela câmera.
Segundo Gisela, duas espécies ocorrem na região: a cutia-de-azara (Dasyprocta azarae), mais comum, e a cutia-vermelha (Dasyprocta leporina), menos frequente.
A especialista explica que a coloração avermelhada dos filhotes também permite considerar a possibilidade de serem cutias-vermelhas, mas o registro não é suficiente para confirmar a identificação.
Embora sejam comuns em algumas cidades, as cutias apresentam comportamentos e características que despertam a curiosidade e ajudam a compreender melhor a vida desses roedores.
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